Homem Elegante
“Onde a lei protege a liberdade sem compreender o homem, pode conservar a liberdade no papel e perdê-la na vida.”
“A liberdade não começa quando o Estado deixa o homem partir, mas quando já não precisa lhe dizer para onde ir.”
A Arte da Necrofagia
O homem já não caça.
Habita corredores de luz artificial,
onde cadáveres repousam
sob o brilho estéril das vitrines.
Não há grito.
Não há perseguição.
Não há olhos fitando olhos
antes do fim.
A morte lhe chega limpa.
Lavada em conservantes,
selada a vácuo,
temperada com ervas
para que a consciência
não reconheça o odor da ruína.
E então mastiga.
Mastiga distraído,
enquanto conversa sobre o tempo,
sobre dinheiro,
sobre a próxima manhã.
Como se não houvesse um corpo
silenciosamente desfeito
entre seus dentes.
Há um necrófago refinado
sentado à mesa da civilização.
Usa perfume,
traja linho,
ergue taças em celebração
sobre túmulos invisíveis.
Especializou-se na arte
de consumir a morte
sem precisar contemplá-la.
Porque o homem moderno
não suporta o peso daquilo que devora.
Por isso cobre o cadáver com molhos,
renomeia músculos como iguarias,
transforma vísceras em tradição
e sangue em mercado.
O abutre, ao menos,
desce faminto sobre a carne exposta
e não profana a verdade do apodrecimento.
Mas o homem…
o homem embalsama a própria cegueira
e, com requinte, a serve quente no jantar.
O Aparente Fracasso do Homem Espiritual
Por que me fizeste sentir tão fundo,
Se tudo o que toco se vai?
Carrego nos olhos o mundo,
Mas dentro… só há o jamais.
Fui verso jogado ao vazio,
Fui fogo querendo calor.
Fui rio pedindo abrigo,
Mas só recebi desamor.
Falei com o alto silêncio,
E ele me ouviu sem falar.
Toquei no tempo que escoa,
Mas ele não quis parar.
De que vale saber o caminho,
Se o passo me pesa demais?
De que vale ver o destino,
Se ele sangra em sinais?
Quis tanto amar sem medida,
Mas o peito virou prisão.
Hoje sou sombra ferida
De uma antiga canção.
E mesmo sangrando no escuro,
Há algo maior que o reverso.
Não estou só, nem perdido:
Eu habito no seio da Mãe do Universo.
Há um buraco no peito da humanidade.
Uma fome que não se sacia.
Uma sede que não é de água,
nem de pão,
nem de toque.
É um vazio estranho,
íntimo,
incômodo —
mas também familiar.
Tentamos preenchê-lo com coisas:
compras, conquistas, curtidas.
Enchemos de distrações,
de ruídos,
de excessos.
Mas quanto mais colocamos,
mais ele se abre.
Porque não é um vazio de falta...
É um vazio de excesso.
Excesso de mentiras.
Excesso de ausências.
Excesso de vida vivida pra fora,
pra parecer,
pra performar.
O vazio que nos habita
não se preenche com ter,
nem com ser alguém aos olhos do mundo.
Ele se aquieta quando lembramos…
que somos mais do que a casca.
Mais do que o nome, o cargo, o corpo.
Ele se rende
quando a gente para,
se escuta,
e deixa espaço
pra aquilo que não tem nome —
mas sempre esteve aqui.
E só atravessa…
quem tem coragem de não fugir mais de si.
É no centro desse vazio
que mora a porta.
Pra dentro.
Pra casa.
Pra Fonte.
Os feitos de um grande homem ultrapassam suas fraquezas pessoais, ainda que imperfeito, não desista de buscar a Deus,
só assim seremos perfeitos como ele é!
“A civilização começa quando o homem prefere esperar pela justiça a fazer justiça com as próprias mãos.”
É você o homem que a vida escolheu para ser meu grande amor. Entre tantos caminhos, foi a sorte que nos encontrou, mas acredito que foi o destino que fez nossos corações se reconhecerem. Ter você na minha vida é uma das maiores bênçãos que eu poderia receber.
AOS PSIQUIATRAS A PROCURA DE FAMA E APROVAÇÃO - A VOZ QUE NÃO CABE NO MANUAL
Quando um homem normal escreve sobre o autismo, dizem que é ciência.
Quando um autista escreve sobre o homem normal ou sua própria experiência, dizem que é delírio.
O primeiro ganha aplausos, o segundo ganha silêncio e às vezes, diagnóstico para pertencer ao circo imaginário.
Parece que o mundo só aceita a diferença quando ela vem traduzida no idioma da maioria?
Mas há coisas que só quem vive pode dizer. E o que se vive, não se explica, se revela, não se inventa ou distorce para próprio benéficio.
Talvez seja isso que tanto assuste,
ver a lucidez onde esperavam loucura,
ou encontrar humanidade onde só enxergavam um caso clínico?
Enquanto isso, seguimos escrevendo,
não para provar que existimos,
mas para lembrar que pensar diferente
também é uma forma de poesia.
Lembre da hora da morte, daqui não se leva nem o corpo, muito menos a fantasia.
“O desenvolvimento intelectual do homem colocou em perigo a própria vida social. As suas invenções, criadas para proporcionar segurança e tranquilidade, acabaram por trazer ao mundo novos medos, mostrando que nem todo progresso é sinónimo de paz.”
Daniel Perato Furucuto
De que serve ao homem possuir conhecimento para transformar o mundo, se ainda não aprendeu a controlar as consequências daquilo que cria?
A minha carência transformou-me num homem sem palavra. Mais dolorosas do que as palavras que os outros dizem sobre mim são aquelas que eu próprio pronuncio quando analiso a minha personalidade. São elas que mais me incomodam.
Daniel Perato Furucuto, 2026
Talvez o maior perigo da inteligência artificial não seja criar máquinas semelhantes ao homem, mas criar homens cada vez mais semelhantes às máquinas.
“O Direito não concede existência ao homem; concede à sua existência uma linguagem contra o arbítrio.”
O Senhor é Deus de justiça e faz conforme seu juízo.Ele conhece a vaidade do homem e não é conduzido por leis.
