Homem Elegante
Três são os tipos de homem que caminham sob o sol.
Há aquele que nada compreende;
há aquele que não compreende, mas deseja compreender;
e há aquele que se entrega ao mau caminho e dele faz morada.
O primeiro, ainda que aja, não discerne o fim de seus atos.
Faz por fazer, sem visão nem propósito.
Abomina o crescimento, pois crescer lhe exige esforço;
é lento no espírito, pesado no ânimo
e murmura contra tudo que o cerca.
O segundo é inquieto de alma.
Não entende, mas pergunta.
Não sabe, mas procura.
Refaz o que quebrou, quebra o que construiu
e torna a levantar, ainda sem aplauso nem reconhecimento.
Busca sentido no que faz
e sofre por não ser visto, ainda que siga adiante.
O terceiro é homem de ruína.
Difama com a língua,
calunia com o olhar,
usurpa com as mãos
e envergonha até os próprios dias que vive.
Mas bendito é o homem que não compreende e, ainda assim, busca entender.
Pois ele não se chama sábio,
mas não se considera vazio.
Sabe que lhe falta muito,
ainda que para outros não baste.
Ele tenta se ajustar,
mesmo quando o mundo não lhe concede lugar.
E nessa busca, ainda que imperfeita,
há mais beleza do que em toda falsa sabedoria.
Miserável é o homem que não questiona.
Habita a própria casa e não indaga quem caminha ao seu redor;
convive com seus atos e não os examina,
sejam eles tidos por bons ou por maus.
Aceita como certo aquilo que lhe foi ensinado,
sem jamais provar se o certo é justo
ou se o que julga errado o é de fato.
Vive preso à fé que recebeu pronta,
não porque a compreende,
mas porque lhe disseram que assim deveria crer.
Tal homem anda em círculos,
como o animal preso ao curral:
vê apenas o chão que pisa,
não contempla o campo distante,
e ainda assim chama isso de liberdade.
Bendito, porém, é o homem que não se curva a palavras vagas,
ainda que venham vestidas de verdade.
Ele pesa a prova, examina o fato,
e questiona até aquilo que lhe parece sólido.
Nisso consiste a sabedoria.
Pois loucura é crer em toda palavra que sai da boca alheia.
Qualquer um pode lançar uma semente à terra,
mas poucos sabem de onde ela veio.
Todos desejam plantar,
mas quase ninguém se recorda da colheita.
*O HOMEM QUE NÃO QUERIA SER PRESO*
Era final de tarde de domingo e minhas alegres visitas tinham partido.
A casa ficou com aquela aparência de lugar onde alguma coisa aconteceu, mas ninguém teve a educação de limpar depois. Havia copos sobre a mesa, brinquedos espalhados, migalhas no sofá e um cheiro de comida que já começava a perder a batalha para o cheiro de casa fechada.
Não me incomodei.
Algumas bagunças são provas de que a vida esteve ali.
O Sol decidiu Acompanhar as crianças e a chuva veio para o expediente.
O gato ficou.
Estava deitado na janela, olhando para a rua com a seriedade de quem aguardava uma decisão importante. As crianças tinham ido embora fazia pouco tempo e, aparentemente, aquilo tinha sido uma experiência marcante para ele.
Talvez tivesse descoberto que humanos pequenos são mais divertidos do que os grandes.
Ou talvez estivesse esperando que voltassem para continuar o serviço.
Eu sabia que não voltariam naquele dia.
Ele não.
Ficou olhando.
Quanto a mim, era apenas o outro morador da casa. Aquele que compra comida, abre a porta, limpa a caixa de areia e paga as contas.
Ele fazia um trabalho muito mais nobre.
Companhia.
Achei injusto.
Fui até a padaria.
Era uma dessas padarias de bairro que colocam algumas mesas na calçada e fingem que aquilo é uma extensão da sala de estar. Sentei do lado de fora. Dali dava para ver o parque, as árvores e os últimos pedaços de sol tentando atravessar os galhos.
O trânsito de domingo fazia pouco barulho.
Alguns carros passavam sem pressa. Pessoas caminhavam pelas calçadas. Um casal empurrava um carrinho de bebê. Um homem levava um cachorro que parecia mais interessado em qualquer coisa do que nele.
Era um bairro residencial. Não havia grandes lojas, vitrines iluminadas ou aquela necessidade permanente de convencer alguém a comprar alguma coisa de que não precisava.
O parque estava cansado.
Talvez eu também.
As árvores continuavam ali, mas tinham aquela aparência de coisa que sobrevive mais por hábito do que por vontade.
A natureza é muito mais honesta quando ninguém tenta fotografá-la.
Pedi um café.
Na mesa atrás da minha havia três mulheres.
Falavam alto o suficiente para dispensar qualquer esforço de escuta.
Conversavam sobre homens.
Pretendentes.
Ex-namorados.
Homens que sumiram.
Homens que apareceram demais.
Homens que não ligavam.
Homens que ligavam demais.
Uma delas dizia que precisava dar um jeito de prender um homem.
Falou aquilo com a naturalidade de quem estava discutindo uma receita.
As outras riram.
Depois começaram a trocar métodos.
Demonstrar menos interesse.
Depois demonstrar mais.
Fazer ciúmes.
Desaparecer por dois dias.
Voltar como se nada tivesse acontecido.
Não responder imediatamente.
Responder quando ele estivesse começando a desistir.
Fazer com que sentisse falta.
A velha engenharia do afeto.
Pensei que talvez o amor moderno fosse isso.
Um jogo de caça com aplicativos.
Uma espécie de pesca esportiva onde ninguém quer admitir que está segurando a vara.
Uma delas falou que homem gosta de quantidade.
Outra discordou.
Disse que o problema era encontrar um que prestasse.
Elas riram novamente.
Eu fiquei olhando para o café.
Já ouvi aquela história antes.
Em bares.
Quartos.
Mesas de restaurantes.
Às vezes falando de mim.
Às vezes falando de homens que eu conhecia.
Às vezes falando de homens que eu não conhecia e provavelmente não queria conhecer.
Ja houvi que sou um homem de muitas mulheres.
Talvez seja.
Ou talvez eu apenas tenha vivido tempo suficiente para descobrir que os rostos mudam muito mais rápido do que as cicatrizes.
As pessoas chegam.
Fazem barulho.
Deixam alguma coisa sobre a mesa.
Depois vão embora.
Algumas deixam perfume.
Outras deixam contas.
Quase todas deixam alguma história que você prefere não contar inteira.
Nunca fui muito bom em explicar isso.
A verdade é menos interessante do que parece.
Nunca procurei quantidade.
Só não sabia muito bem como procurar outra coisa.
Durante algum tempo, confundi desejo com companhia.
Depois confundi companhia com amor.
Mais tarde descobri que nenhuma das duas coisas servia para preencher uma casa vazia.
Eu queria abrigo.
Só isso.
Um lugar onde não precisasse estar em guarda o tempo inteiro.
E abrigo é uma coisa rara.
Principalmente entre pessoas que passaram a vida aprendendo a partir antes de aprender a ficar.
Talvez eu também tenha feito isso.
Talvez tenha chamado de liberdade aquilo que, em algumas ocasiões, era apenas medo de descobrir o que aconteceria se eu permanecesse.
As mulheres continuavam falando.
Uma delas dizia que o problema era deixar o homem confortável demais.
Eu quase ri.
Conforto virou ameaça.
Imagine isso.
Duas pessoas passam anos procurando alguém com quem possam descansar e, quando encontram, começam a desconfiar porque o outro parece confortável.
Talvez tenhamos aprendido a confundir paz com desinteresse.
Talvez o barulho seja mais fácil de reconhecer como paixão.
Eu já confundi.
Muitas vezes.
Conquistar alguém é fácil.
No começo tudo ajuda.
A novidade ajuda.
O desejo ajuda.
A mentira ajuda.
Até o silêncio parece interessante quando ainda existe mistério.
Depois chegam as contas.
As manias.
Os dias ruins.
O mau humor.
As doenças.
Os parentes.
As mensagens não respondidas.
A roupa jogada no lugar errado.
A mesma história contada pela terceira vez.
O silêncio que não tem nada de sexy.
É aí que começa o trabalho.
E é aí que muita gente vai embora.
Não porque deixou de amar.
Às vezes porque descobriu que amar dá trabalho.
A mulher da mesa atrás falou que ninguém deve deixar um homem completamente livre.
Pensei no gato.
Ele tinha liberdade para sair pela janela.
Não saía.
Tinha comida.
Tinha água.
Tinha um lugar quente para dormir.
E ainda assim ninguém havia colocado uma tela naquela janela.
Talvez fosse esse o segredo que os humanos complicaram.
Não quero possuir ninguém.
Posse é medo fantasiado de amor.
Se alguém ficar ao meu lado, quero que fique porque poderia ir embora.
Quero que a porta esteja aberta.
Quero saber que existe uma rua do outro lado.
Quero que a pessoa possa caminhar para qualquer lugar e, mesmo assim, em algum momento, decida voltar.
Isso é muito diferente de prender alguém.
Prender é fácil.
Até animais sabem fazer isso.
O difícil é ser escolhido quando ninguém é obrigado a escolher você.
Fiquei olhando para o parque.
O sol já tinha descido mais um pouco e a chuva escurecia as ruas.
As sombras das árvores, sob relâmpagos atravessavam a calçada.
Um homem passou empurrando uma bicicleta.
Uma senhora caminhava rapido com duas sacolas de mercado.
Do outro lado da rua, um menino corria atrás de uma bola enquanto alguém gritava seu nome.
A cidade fazia o que sempre faz no domingo.
Tentava parecer tranquila.
Mas havia qualquer coisa de cansado em tudo aquilo.
Talvez porque domingo seja o dia em que as pessoas percebem que segunda-feira existe.
Pedi outro café.
A mesa atrás de mim tinha ficado mais silenciosa.
Por alguns segundos.
Depois uma delas disse que o problema era encontrar alguém que soubesse ficar.
Dessa vez ninguém riu.
Achei curioso.
Talvez aquela fosse a única coisa verdadeira que tinham dito naquela tarde.
Ficar.
É uma palavra pequena.
Mas custa caro.
Eu não me apaixono pela perfeição.
Nunca me interessou.
A perfeição é uma mentira bem vestida.
Gosto de quem sangra.
De quem tropeça.
De quem já perdeu uma guerra e ainda aparece no dia seguinte com a cara amassada para tentar outra vez.
Talvez porque eu conheça esse tipo de gente.
Talvez porque eu seja esse tipo de gente.
Carrego ferrugem na alma.
Algumas rachaduras.
Há coisas que o tempo não consertou.
Apenas ensinou a esconder melhor.
Também erro.
Muito.
E talvez tenha demorado mais do que deveria para entender que continuar presente na vida de alguém pode ser mais difícil do que conquistá-la.
No começo, quase todo mundo sabe ficar.
Depois é que começam os problemas.
Quando o encanto diminui.
Quando o outro deixa de parecer uma descoberta e passa a parecer uma pessoa.
Com seus defeitos.
Suas manias.
Seus medos.
Sua história.
Seu mau humor.
É nesse momento que você descobre se estava apaixonado pela pessoa ou pela versão que inventou dela.
Eu já tive versões.
Algumas bastante convincentes.
Nenhuma durou muito.
A maturidade talvez seja justamente isso.
Parar de procurar alguém que nos faça sentir completos e começar a procurar alguém diante de quem não precisamos fingir que estamos.
Não ofereço salvação.
Não tenho.
Não ofereço uma vida sem problemas.
Seria propaganda enganosa.
Ofereço café.
Silêncio.
Alguma honestidade.
E a possibilidade de continuar aqui quando a novidade acabar.
A conta chegou.
Paguei.
Fiquei alguns minutos olhando o parque antes de levantar.
As mulheres ainda estavam ali.
Agora falavam de outra coisa.
Talvez de homens.
Talvez de outra maneira de prendê-los.
Não importava.
Peguei o caminho de casa.
Quando cheguei, a bagunça continuava exatamente onde eu havia deixado.
Os copos.
Os brinquedos.
As migalhas.
As marcas da visita.
O cheiro de comida.
O gato continuava na janela.
Olhou para mim como quem verifica se o funcionário responsável finalmente voltou ao posto.
Depois voltou a olhar para a rua.
As crianças ainda não tinham voltado.
Talvez estivesse decepcionado.
Talvez apenas gostasse de esperar.
Fiquei pensando nisso.
Esperar também é uma forma de liberdade.
Você não espera alguém porque foi obrigado.
Espera porque quer.
Talvez seja por isso que a maturidade muda a maneira como enxergamos o amor.
Quando somos jovens, queremos ser desejados.
Depois queremos ser escolhidos.
Mais tarde, talvez, queremos apenas encontrar alguém que conheça nossas partes ruins e ainda consiga sentar ao nosso lado sem precisar fingir que elas não existem.
Alguém que poderia ir embora.
E sabe disso.
Mas fica.
Não porque foi convencido.
Não porque foi preso.
Não porque tem medo da rua.
Fica porque, entre todos os lugares possíveis, escolheu aquela mesa.
E talvez seja isso que eu tenha procurado o tempo todo sem saber dar um nome.
Não muitas mulheres.
Não muitas histórias.
Não muitas conquistas.
Só algum lugar onde dois sobreviventes pudessem parar por alguns minutos.
Olhar um para o outro.
Sem algemas.
Sem promessas grandiosas.
Sem precisar provar nada.
A porta continua aberta.
A rua continua ali.
Cada um poderia ir.
Mas ninguém vai.
E, depois de tudo o que já aconteceu, depois de todas as pessoas que passaram, todas as que partiram e todas as que juraram ficar, existe uma frase que ainda vale alguma coisa.
Não precisa ser dita.
Basta que os dois saibam.
Ainda estou aqui.
A lei pode condenar um homem; somente instituições fortes conseguem impedir que o sistema produza outros iguais.
O homem pode perder-se nos seus próprios sentimentos de modo a esquecer o que o cerca, e entregar-se a uma paixão louca que lhe ataca o coração.
Existe o olhar do desejo ele é muito importante entre um homem e uma mulher, mais existe um olhar que além do desejo transmite respeito e lealdade, hoje em dia são poucos os que carregam isso nos olhos
"O universo sem o homem é um livro que ninguém lê. As letras (a matéria) estão lá, mas a história (o passado) só existe no ato da leitura."
A simplicidade engrandece o homem; a prepotência apenas expõe a pequenez de quem precisa diminuir o próximo para se sentir grande.
O HOMEM, O TEMPO E O CAMINHO
Deus concedeu ao homem um dia, e dentro desse dia uma medida que não pode ser aumentada por sua riqueza, nem diminuída por sua pobreza: 86.400 segundos.
Cada homem recebe esse tesouro, mas nem todos compreendem o seu valor. Uns o empregam naquilo que edifica; outros o desperdiçam seguindo os passos da multidão, fazendo o que todos fazem e acreditando naquilo que todos acreditam.
Assim, muitos imaginam possuir liberdade, quando, na verdade, apenas obedecem aos costumes dos homens.
Pois não é livre aquele que escolhe somente aquilo que a multidão lhe ensinou a desejar.
O homem deve examinar o caminho que toma e perguntar a si mesmo: quem governa minhas escolhas?
Se é a multidão, será levado pela multidão.
Se são seus próprios desejos, tornar-se-á servo daquilo que deseja.
Mas, se reconhecer que Deus é o verdadeiro guia de sua vida, encontrará um caminho superior, porque aquele que se deixa conduzir pela vontade de Deus não é escravo dos homens nem dos próprios apetites.
Por isso, não basta possuir o tempo; é necessário saber para quem e para quê o empregamos.
Porque o dia passa, os anos desaparecem e a vida do homem é breve.
E chegará o momento em que cada um terá de responder não apenas pelo tempo que recebeu, mas pelas escolhas que fez enquanto o possuía.
Portanto, escolhe com entendimento.
Não sigas a multidão simplesmente porque ela caminha em determinada direção.
Não confundas desejo com verdade.
E não chames liberdade àquilo que apenas te torna servo de tua própria concupiscência.
O homem escolhe o caminho; mas Deus conhece onde esse caminho termina.
Quando o homem tirar da criança a inocência, da fruta seu sabor e da carne sua dor, a essência da vinda se findou.
FORJA DA HUMANIDADE
Quantos Gênesis serão precisos para ensinar ao homem o valor da própria criação?
Quantas auroras deverão nascer sobre mares recém-formados, quantas sementes romperão a terra, quantas vidas serão sopradas pelo fôlego da esperança?
Um Gênesis não bastou.
Erguemos cidades, mas também muralhas. Criamos ferramentas, mas também correntes. Descobrimos estrelas, mas ainda tropeçamos na sombra dos próprios passos.
Vieram dilúvios, vieram desertos, vieram profetas, vieram cruzes, vieram lições escritas em pedra, sangue e memória.
Ainda assim, o homem insiste em reinventar o erro com a mesma criatividade com que reinventa o progresso.
Quantos Gênesis serão precisos?
Talvez um para cada guerra. Talvez um para cada preconceito. Talvez um para cada criança que nasce acreditando num mundo melhor e encontra um mundo inacabado.
Mas a criação não desistiu.
A cada nascimento, um novo capítulo é escrito. A cada gesto de bondade, uma luz acende nas primeiras páginas do amanhã.
Porque a verdadeira forja não acontece no fogo das estrelas, nem no coração dos vulcões.
Acontece dentro do homem.
É ali que o ferro da ignorância enfrenta o martelo da experiência. É ali que a consciência é aquecida pela verdade até transformar-se em sabedoria.
Talvez não sejam necessários novos Gênesis.
Talvez seja necessário que a humanidade finalmente leia o primeiro.
E compreenda que a criação ainda não terminou.
Ela continua sendo escrita em cada escolha, em cada encontro, em cada geração.
Pois a maior obra do universo não foi a criação do mundo.
É a lenta e interminável Forja da Humanidade.
CABRA-MARCHO
Sou cabra-macho do Sertão,
Homem de fé e fundamento,
Não meço força na aparência,
Mas no valor do sentimento.
Pois quem carrega honra no peito
Segue firme em qualquer vento.
Aprendi com meu velho pai
A palavra nunca quebrar,
Respeitar os mais antigos,
Trabalhar sem reclamar.
Porque o homem vale mais
Pelo que faz que pelo falar.
Sou filho que guarda o nome
Como tesouro e tradição,
Carrego raízes profundas
Plantadas no coração.
Feitas da mesma madeira
Da família e da educação.
Sou pai que ensina no exemplo,
Sem precisar levantar a voz,
Mostrando que o bom caminho
Se constrói dentro de nós.
E que o amor de um verdadeiro pai
É um laço que nunca se desfaz.
Sou amigo nas horas difíceis,
Companheiro de caminhada,
Daqueles que estendem a mão
Sem esperar receber nada.
Pois amizade verdadeira
É riqueza abençoada.
Carrego valores antigos
Que o tempo não conseguiu levar:
Honestidade, respeito e coragem,
Virtudes para cultivar.
São tesouros que não enferrujam
Nem o mundo pode comprar.
Sou raiz pivotante no solo,
Que ninguém consegue enxergar,
Mas sustenta toda a árvore
Quando o vento quer derrubar.
Pois a força que dura na vida
Vem de dentro para lutar.
Não vivo de fama ou riqueza,
Nem de aparência e posição,
Minha maior fortaleza
É ter paz no coração.
E saber que minha consciência
Não me acusa em oração.
Tenho somente um temor
Que guardo com devoção:
Desagradar ao Deus Altíssimo,
Fonte da minha salvação.
Pois homem que teme a Deus
Nunca perde a direção.
Se a luta aperta o caminho,
Se a seca castiga o chão,
Eu me ajoelho primeiro
E entrego tudo em oração.
Porque a vitória do homem
Nasce da fé e da ação.
Cabra-macho de verdade
Não é quem vive a se exaltar,
Mas quem protege sua família,
Sabe servir e respeitar.
Quem honra pai, mãe e amigos
E não foge de trabalhar.
Assim sigo minha jornada,
Sem orgulho e sem vaidade,
Com Deus na frente dos passos,
Com amor e dignidade.
Pois ser homem é ter caráter,
E viver com honestidade.
RIQUEZA DE POBRE
Na riqueza do homem simples
há tesouro sem cifrão;
mora dentro do abraço,
da amizade e do pão.
Quem reparte o que possui
nunca sofre de ilusão.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Vizinho era quase irmão,
porta aberta o dia inteiro;
um chamava, o outro vinha,
sem convite, sem roteiro.
Na tristeza dividia,
na alegria era o primeiro.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
As brincadeiras de rua
eram festa sem dinheiro:
bola de meia, pião,
pipa cortando o terreiro;
cada riso da infância
valia um mundo inteiro.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Na panela, o bom cuscuz,
feijão quente e macaxeira,
tira-gosto no alpendre,
café forte na chaleira;
quem comia repartindo
nunca viveu na canseira.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
O contrato era na fala,
aperto firme na mão;
a palavra tinha peso
feito pedra no sertão.
Quem mentisse por ganância
perdia toda razão.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Compadre era um parente
escolhido pelo amor;
comadre era confiança,
respeito, estima e valor.
Na aflição eram escudo,
na bonança, flor em flor.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
A bênção aos mais velhos
era lei de cada dia;
o ancião era biblioteca
de coragem e sabedoria.
Quem ouvia seus conselhos
colhia paz e alegria.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Banho bom era na chuva
ou no rio a mergulhar;
cada gota era brinquedo,
cada canto um festejar.
A natureza ensinava
sem jamais cobrar vintém.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Nas férias, a casa do tio
era um reino encantador;
rede armada no terreiro,
história contada com amor.
Cada primo era um tesouro,
cada abraço, uma flor.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
O futebol na campina
era Copa do lugar;
gol marcado no chinelo,
sem juiz pra apitar.
Quem perdia dava risada,
logo queria jogar.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Tinha fofoca de esquina,
mas sem ódio ou traição;
mentira sem maldade,
vaidade sem ostentação;
valentia sem braveza,
respeitando cada irmão.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
A fé morava na alma,
na novena e na oração;
Deus entrava pela porta
e habitava o coração.
Quem possuía esperança
nunca viveu na solidão.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Hoje muitos têm de tudo,
mas lhes falta o essencial;
compram ouro e compram luxo,
sem riqueza espiritual.
O pobre guarda no peito
o tesouro mais real.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
Que não morra essa herança
da mais sábia natureza:
ser humilde, ser honesto,
cultivar a gentileza.
Pois a alma vale mais
do que qualquer riqueza.
Riqueza de pobre, quando os ricos descobrem,
sabem quem são os verdadeiros ricos.
LEI DA NATUREZA
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
No princípio, o Deus da vida
Fez o mundo em perfeição;
Deu ao homem a missão
De guardar a criação.
À mulher deu companhia,
Amor, graça e comunhão.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
As Escrituras ensinam
Cada qual na sua função;
Autoridade não é força,
Nem domínio ou opressão.
É servir com humildade,
Com justiça e compaixão.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
O marido ama a esposa
Como Cristo amou a Igreja;
Protegendo com ternura,
Sem orgulho que a despreza.
Quem governa pelo amor
Nunca perde a natureza.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
Toda esposa tem seus sonhos,
Seus projetos e querer;
Merecendo ser ouvida
Em qualquer amanhecer.
Pois quem ama escuta antes
De falar ou decidir.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
A palavra é liberdade,
Não é carta de poder;
Cada escolha traz consigo
Consequência no viver.
Quando o casal anda unido,
Deus faz tudo florescer.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
O marido é responsável
Pela paz do seu lugar;
Se disser um "sim" consciente,
Ou um "não" para guardar,
Que o faça com sabedoria,
Sem jamais desrespeitar.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
Nem tirania do homem,
Nem orgulho da mulher;
Quando Cristo é o alicerce,
Cada um cumpre o dever.
Há respeito e harmonia
No caminho do viver.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
Assim segue a Lei Divina,
Fonte viva do Senhor:
Autoridade é serviço,
Sacrifício feito em amor.
Onde Deus governa o lar,
Reina a paz do Criador.
A mulher tem o direito
de fazer o que quiser.
Cabe ao homem aceitar ou não.
Há um instante raro na existência em que o homem percebe não estar mais apenas perseguindo aquilo que sonhou, mas efetivamente vivendo o que um dia lhe pareceu distante. É o ápice da realização pessoal: quando as adversidades deixam de representar obstáculos e passam a constituir evidências da própria evolução; quando esforço, maturidade e propósito convergem, e a consciência finalmente reconhece que a plenitude não está em possuir tudo, mas em tornar-se exatamente aquilo que tantas batalhas exigiram para chegar até aqui.
