Hoje o Tempo Voa Amor
No entrelaçar das mãos, palavras não ditas se transformam em abraços calorosos que transcendem o tempo.
Olha só! Oito anos que se passaram em oito dias. Tão pouco tempo. Já vivemos aventuras, tristezas, alegrias. Ah! Se eu pudesse parar o tempo... Se eu pudesse, eu jamais pararia, pois cada momento vivido ao seu lado é tão maravilhoso que eu quero colecioná-los pelo resto dos meus dias.
"...Era assim que refundava-me em teu tempo.
Eu me acontecia de querer-te.
Eu me morria de não estar em ti.
Eu me vivia quando não me tocava tua ausência..."
Procuremos ser felizes.
A única certeza deste mundo é que nós estamos de passagem por aqui, tudo passa, inclusive cada um de nós. Somos finitos e sabemos disso, cada segundo vivido nos aproximamos inexoravelmente do fim. Cada segundo conta a mais na nossa trajetória rumo ao nosso ocaso.
Se sabemos disso, porque de não valorizar todo tempo possível para viver melhor. O que nos leva a sempre perder tempo com sofrimento, amarguras, descasos, falta de amor, são tantos adjetivos que nem vale a pena falar.
Procuremos sermos felizes e de bem com a vida, isto que na realidade importa e produz bons frutos.
A vida?
Eu não sei o que dizer
Tão confusa e sofrida, é difícil entender
Por mais longa que seja, eu nunca vou saber
Do porquê a minha vida, não pode ser com você.
Quem dera se o agora fosse para sempre, e que todas as lembranças boas que nos mantem conectados nesse momento jamais fossem sucumbidas pelo tempo. Hoje percebo a importância do abraço demorado. Da conversa prolongada. Da gargalhada sem fundamento. Da presença indispensável... De você por um dia inteiro, por mais que o dia acabasse a seis horas da tarde a cada pôr do sol.
Tudo na vida tem seu tempo,
Mas parado muitas vezes perdemos o tempo,
E por dizer nos que não tem mais tempo,
Dormiu no tempo errado e perdeu o tempo,
Buscando acalento a tempos,
Esperando por tempos,
me perdi não tendo mais tempo,
E dormi no acalento que o tempo me trouxe a tempos,
e eu não tinha entendido a importância do tempo,
Só o entendi quando não o tinha mais.
Encarar as frustrações como oportunidade de recomeçar, faz de mim resiliente e não vítima dos desencontros.
Eu queria que entendesse que me faço de pedaços de outros, e de mim. Não que eu tenha buscado me despedaçar, ou as artes estranhas de se reconstruir em fraturas. O mundo faz ser assim, te ofereci esse "Eu", cultivado e colhido dos tantos Yuukis que não vingaram. E te ofereci minha essência, que foi por tantas vezes atirada a mãos alheias e a paixões tão distintas da sua. Eu aprendi com essas mãos alheias, e me fiz isso, que diz amar. É... nauseante? Imaginar que já fui de outras pessoas? Que já foi deles, e que vivi vidas inteiras, vidas curtas.... É nauseante saber que no prato que agora comes... foi prato já servido? Limpo... e utilizado tantas vezes quando um faminto humano tenha vindo ao meu encontro? Pois tudo nessa casa, tudo nessa alma, já foi para o lixo, e retornou dele, já foi mais bonito e também mais triste do que essa figura que se reforma e se ergue por você. Tens medo de serdes mais uma fratura? Mais um enfeite de tragédias do meu passado? De se tornar mais uma mobília de um lar para ontem? De me fazer mais útil, apenas depois do trágico fim? Mas que fim? Tens medo, ou Tens gosto pela posse? Querias voltar no tempo? Que eu fosse teu, ainda antes de saber que existias? Querias um Yuuki imaculado? Mesmo que custasse tudo que ergui, que salvei, que destrui? Tudo aquilo que tu contemplava até um segundo atrás? Queres que eu me desculpe por tantos reveses apenas para que tenhas uma figura ao chão, para dar aquilo que tão bem aprendestes a dar: Misericórdia. Para ver sinceridade nesse ato triste eu precisaria sentir vergonha de ter sobrevivido a tudo, vergonha de não ter me tornado uma derrota viva, reclusa em tormentos inválidos, afogado em possas rasos, enforcado em fios frágeis, das frágeis aranhas de banheiro. Pois abro meus braços duros a ti, e sorrio com meus dentes gastos. Você fica? Você aceita? Não precisas responder agora, sei que meus olhos te intimidam. Te fazem menina vulnerável. Vou me deitar, pois a noite a muito me tomou a disposição, deixarei a porta aberta e... caso decidas partir, faça em silêncio. Deixe as lacunas, eu as preencherei. Farei honras ao que vivemos, você dera uma bela cerâmica, com um contorno vivo aos meus olhos. Tudo que foi bonito, tudo que foi feio, se encaixará em num mosaico de mim.
Talvez não seja só uma questão de tempo pode ser sobre espaço. Desejo em Vênus mais um dia com você.
Quando o futuro tentar de amarrar em ansiedades, desate todos os nós do passado, vivendo o presente de forma extraordinária.
