Hoje a Felicidade Bate em minha Porta
Eu tenho o transtorno do espectro autista. Então, para muitos, minha fala e minhas ações podem parecer estranhas. Mas tenho amor pela lei e respeito pela ré, assim como qualquer advogado.
Deixe-me passar com a minha dor,
É um rasgo que sangra.
Sem receita,sem remédio,sem a cura de uma ceita,
Somente ela me aceita.
Perdoe esse meu vício de linguagem,
Minha língua,
Sempre interrompendo a sua.
Sem meias palavras,
Te ganhando no beijo.
Perdi o interesse de voltar,
Isso inclui lugares e pessoas.
Quem não dá importância para minha presença,
Ofereço distância e ausência.
Sobre lugares e pessoas que eu prometi nunca mais voltar,
Até aqui,
Minha parte do nunca está mantida.
Historia, não drama
Minha ansiedade me acompanha
como um ruído constante,
um alerta que nunca desliga,
e junto dela
o medo de exagerar,
de sentir demais,
de parecer dramática
por simplesmente sentir.
Ela nasceu cedo.
Entre olhares atentos demais,
expectativas grandes demais,
e a sensação de que sentir
era sempre exagero.
Cresci ouvindo
que tinha tudo.
Casa, cuidado, conforto,
um berço chamado de ouro
— como se isso anulasse
qualquer vazio que coubesse em mim.
Quando doía,
não era dor:
era drama.
Quando eu reclamava,
era vitimismo.
Aprendi cedo
a engolir sentimentos
antes que alguém dissesse
que eu estava exagerando.
Meus irmãos gritavam mais alto,
quebravam mais coisas,
ocupavam mais espaço.
O do meio, o mais difícil,
recebeu colo em excesso,
atenção dobrada,
como se o amor fosse um prêmio
para quem dá mais trabalho.
E eu?
Fiquei quieta.
Aprendi a merecer afeto
sendo fácil.
Sendo compreensível.
Sendo grata.
Mesmo quando algo em mim
pedia socorro —
em silêncio.
Hoje, no amor,
minha ansiedade aparece
com cuidado demais,
palavras medidas,
e o medo constante
de ser intensa demais.
Não é ciúme,
é receio.
Não é cobrança,
é medo de perder.
Carrego um receio silencioso
de depender,
porque no fundo
ainda busco validação
como quem pede permissão
para existir
sem pedir desculpas.
Já disse a ele
sobre meu medo de abandono.
Não nasceu agora.
Veio de casa.
Veio das vezes em que fui ouvida
só quando não incomodava.
Tenho amor,
mas também tenho feridas.
Tenho entrega,
mas carrego alertas.
Não sei sempre explicar
nem organizar o que sinto,
e ainda assim
sinto —
mesmo com medo
de parecer dramática.
Não quero amar por carência.
Não quero ficar por medo.
Quero escolher.
Inteira.
Mesmo ainda aprendendo
a confiar
que meus sentimentos
não são exagero,
são história.
Você não é qualquer amor, é o amor da minha vida. A saudade aperta quando a distância insiste em nos separar, mas nem quilômetros conseguem diminuir o que sinto. Cada dia longe só confirma: meu coração mora em você.
Eu só uso isso aqui para me distrair, bater um papo, quando não tenho nada pra fazer.
Minha vida real é offline.
Na prateleira da vida, minha vitrine guarda uma coleção empoeirada de mágoas e frustrações.
São troféus de uma existência corroída pelo tempo, esquecida como carne exposta no balcão de um açougue,
esperando o olhar faminto de um cão que nunca veio.
Ninguém se deteve diante de mim.
Não houve crianças com olhos brilhando como diante das vitrines de doces,
nem homens avaliando ternos,
nem mulheres sonhando com vestidos.
Eu não fui objeto de desejo, nem de admiração.
Quem me vê, não vê nada,
não sou mais do que um objeto de utilidade,
do qual ninguém tem uso.
Não sou nada além do que sou:
um desvio na rotina, como o trajeto o qual todos evitam porque mal aos olhos.
Sou o que sobra daquilo que foi e já não é.
O que ninguém nota, o que ninguém quer.
Não preciso dizer que te amo!
Meus olhos tadinhos confessam
Meu corpo treme minha base balança
Minhas atitudes piegas não cessam
Por causa de ti, voltei a ser uma criança. Elias Torres
Sim, minha força está na vontade de vencer. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem das grandes ventanias soltas, nem de homens avarentos e muito menos de enfrentar obstáculos de maledicência, pois eu sou filho daquele que enfrentou o mundo inteiro....
Nenê Policia
Mesmo com o tempo, o teu “bom dia” persiste na minha memória,
como um sol suave que nasce devagar,
aquecendo o coração e deixando uma marca
que, silenciosa, permanece em mim
