Hoje a Felicidade Bate em minha Porta
Antes, as frases eram fortes, às vezes tristes, mas carregadas de verdade e profundidade, hoje, tornaram-se raridade. Vejo uma enxurrada de palavras feitas apenas para agradar, para ecoar no vazio de mentes que pouco pensam, palavras que satisfazem apenas meia dúzia de analfabetos funcionais. A escrita que outrora feriu, que fez refletir e transformar, hoje se curva à mediocridade, à busca fácil pelo aplauso imediato. Parece que a profundidade se tornou inconveniente, e a verdade, um luxo que poucos se permitem escrever ou ler.
Hoje, ao voltar os olhos e reconhecer o caminho percorrido, as batalhas vencidas, as perdas transmudadas, a jornada inteira resplandece de sentido. Cada conquista miúda ganha peso e brilho, mesmo aquilo que o mundo chama de ínfimo é, para mim, prova concreta de resistência, de trabalho e de um cultivo paciente do meu próprio ser.
Caí tantas vezes que aprendi a medir a altura do chão. Levantei com precisão, passo a passo. Hoje caminho sem medo do vão.
Um dia eu já chorei por perder tudo, hoje choro por gratidão, as lágrimas mudaram de endereço, meu rosto aprendeu outro brilho.
O que tentei esconder virou força para mostrar, transformei vulnerabilidade em alavanca, hoje exponho o que me fez inteiro.
Não busco abrigo, eu o crio, a casa nasceu das minhas mãos, e hoje habito onde antes só soprava o vento.
Cada recomeço me fez mais inteiro, as quebras costuraram-me com nova trama, hoje sou a soma de todas as reconstituições.
Quando a sorte faltou, inventei processo, o processo substitui a sorte com hábito, hoje sou fruto dessa construção.
A pressão afinou meu caráter, a pressão não me quebrou, me acertou, hoje tenho menos sobra de vaidade.
Hoje, um “bom dia” soa quase herético, a gentileza desperta olhares desconfiados, o afeto provoca incômodo. Chegamos ao ponto em que ser humano é resistência, e a ternura, um ato de coragem.
A resistência que exibo é resultado de escolhas, escolhi não ceder ao conforto da desistência, hoje levo a bandeira do feito.
No enfrentamento me tornei criador de saída, saída é arte de enxergar alternativa, hoje desenho rotas onde os outros veem muralha.
Meus limites foram redesenhados pela prática, hoje sei até onde posso rasgar sem perder a trama, a ousadia ganhou contorno seguro.
