Hipopotamo com Alma de Anjo
Eu pedi mais um dia, pedi outra chance, pra fazer tudo do começo, melhor que antes, por isso agradeço o dia de hoje e faço tudo que estiver ao meu alcance. Carrego nas costas o peso do mundo, nessas horas a fé vale mais que o tamanho, vale mais do que a força, é maior do que o medo, porque no fundo VOCÊ É DO TAMANHO DOS SEUS SONHOS.
Aqui nessa cidade faz tanto barulho, e eu sei que há tantos outros problemas nesse mundo pra eu pedir um minuto só pra mim, só quero agradecer, eu sei… sou só mais um na multidão, mas se eu pedir com o coração não será em vão minha oração, deixo nas suas mãos, anjos de plantão me respondam… Onde estão? Onde estão os anjos de plantão? Sei como é difícil atender todos os pedidos e que a minha prece é mais uma na multidão, será que Deus pode me ouvir? Só quero agradecer tudo que um dia eu já consegui... Agradecer também faz parte da oração!
Existem coisas em nossa vida que possuem ciclos. Quando esse não for mais contribuir com boas coisas a você, é melhor que esse se encerre.
A juventude não é uma etapa de vida, nem o fim, mas sim uma transição do espirito... Há velhos de 30 anos e jovens de 60 anos...
— Severino retirante,
deixe agora que lhe diga:
eu não sei bem a resposta
da pergunta que fazia,
se não vale mais saltar
fora da ponte e da vida;
nem conheço essa resposta,
se quer mesmo que lhe diga;
é difícil defender,
só com palavras, a vida,
ainda mais quando ela é
esta que vê, severina;
mas se responder não pude
à pergunta que fazia,
ela, a vida, a respondeu
com sua presença viva.
E não há melhor resposta
que o espetáculo da vida:
vê-la desfiar seu fio,
que também se chama vida,
ver a fábrica que ela mesma,
teimosamente, se fabrica,
vê-la brotar como há pouco
em nova vida explodida;
mesmo quando é assim pequena
a explosão, como a ocorrida;
mesmo quando é uma explosão
como a de há pouco, franzina;
mesmo quando é a explosão
de uma vida severina.
" Solilóquio Nº 4 "
Aperto a cabeça contra as mãos, e penso que ainda há pouco
tu a apertavas contra o seio.
Ficou em minhas mãos o cheiro de teu corpo
e estás em mim, e no ar que me acompanha
És um halo ao meu redor, que eu sinto e vejo
e quase apalpo com as minhas mãos vazias
que ainda te aguardam...
Aperto a cabeça contra as mãos, como se ainda
pudesse apanhar-te no pensamento.
Um grito silencioso
O êxtase da dor...
Silêncio que mata,
silêncio que alto sussurra,
Entalado no interior, ele ata,
o nó da dor e da amargura.
Entorpecendo a alma,
dilacerando o coração.
Como um temporal que não se acalma,
transborda tristeza e decepção.
Do profundo vem o clamor,
elevo a Deus esse silencioso grito.
Entretanto ouço do Criador
um silêncio constante e maldito.
Perturbadora é essa mudez,
tal que as palavras não expressam.
Redijo esse poema outra vez,
falando de feridas que não se fecham.
Com as lágrimas encalacradas
e um grito silente,
minh‘alma está a gemer.
E por trás das gargalhadas
e uma expressão sorridente,
escondo de todos o meu sofrer.
