Ha como eu Queria q ela Soubesse

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A vida me endureceu, mas não permiti que me amargasse, há aço no meu peito, mas ainda há flor nas minhas mãos, eu equilibro forças.

Há dias em que me sinto pequeno, mas lembro que fui esculpido pela luta, pequeno não significa fraco, pequeno significa essencial, e essencial basta.

Há flores que só florescem no concreto da dor e a beleza delas é a prova de que a vida sempre encontra um caminho.

Há almas que são a própria combustão poética, incandescentes mesmo vestidas com o tecido mundano da prosa, sua beleza não é a métrica, mas a substância indomável de sua essência.

Há dores que não gritam, apenas respiram dentro de nós, esperando que um gesto mínimo lhes dê permissão para existir. São feridas que aprendem a pulsar devagar, como quem sabe que não será curado, apenas tolerado. E nessa convivência silenciosa, descobrimos que sobreviver também é uma forma de arte. Arte dura, crua, porém profundamente humana.

Há palavras que salvam e outras que condenam, mas as que mais doem são as que não foram ditas. O silêncio de quem deveria ter sido abrigo se transforma em cicatriz eterna. E levamos essa marca como quem leva uma sentença que nunca escolheu. Mesmo assim, seguimos, porque desistir seria morrer em vida.

Há dias em que a alma parece uma casa sem teto: tudo entra, tudo molha, tudo desaba. Mas mesmo nas ruínas, algo dentro pede reconstrução. E esse pedido é prova de que a esperança, embora pequena, ainda respira. Respira fraco, mas respira.

Há noites em que o céu parece fechado, mas é dentro de mim que a escuridão é mais espessa. Mesmo assim, procuro estrelas na memória. E sempre encontro uma: a da fé que não apagou. Porque Deus brilha mesmo quando não o vejo.

Há perguntas que não fazem sentido hoje, mas salvarão o futuro. Perguntas que parecem punição, mas são preparação. E quando a resposta finalmente chega, percebemos que o caminho era necessário. Mesmo quando doía.

Há músicas que não se ouvem: vibram nos ossos, correm nas veias e repousam no silêncio da pele.

Há um piano em meus ossos que toca notas quebradas, cada acorde é um pedaço de mim que insiste em existir. Quando a cidade dorme, a música remexe entulhos antigos, e eu me descubro inteiro nas frestas de um acorde menor.

Sorrio por economia de forças, para que o rosto não quebre. Por dentro, há um mercado de lembranças em liquidação: tudo pela metade. Compro apenas o necessário, memórias que me sustentem até o amanhã, e guardo o resto numa caixa que só abro quando a noite me desafia.

Há feridas que o tempo não cicatriza, ele apenas ensina a pintar por cima. Cores novas, técnicas de ocultar, a vida vira tela retocada. Passo o pincel, sorrio ao espelho e finjo que a obra está completa, mas sei que por baixo do verniz a dor ainda pulsa, insistente.

O corpo tem memória de batalhas que a mente quer esquecer. Há dias em que ele se recusa a colaborar, cobra presença no presente. Quando obedece, eu celebro em silêncio, quando nega, aprendo a negociar, ofereço chá, música, paciência, pequenos tratados de trégua.

Há um silêncio que tem cheiro de infância perdida. Ele se esconde nas gavetas e nos retalhos do falar. Quando me ponho a escrever, o silêncio ensina como ferir com calma. Sinto que as palavras são pontes frágeis entre mundos. E atravessá-las é ato de coragem e covardia.

Meu corpo guarda mapas que o coração não entende. Há estradas marcadas a ferro por decisões alheias. Caminho por elas com cuidado para não me perder. Algumas curvas trouxeram paisagens inesperadas. E agradeço por cada uma, por mais áspera que seja.

Há palavras que se escondem no bolso justo da memória. Aparecem só quando o corpo precisa de consolo. Algumas são duras, outras acariciam a garganta. Se pudesse, as colocaria em moldura e as olharia todas as manhãs. Seria um museu íntimo de pequenas verdades.

Há músicas que voltam em espasmos, sem avisar. Elas me pegam pelo braço e me obrigam a sentir. Dançar sozinho em silêncio é uma prática sagrada. A melodia ajusta o passo da alma. E, ao final, a sala inteira cabe dentro do peito.

Há dias que parecem rascunhos mal colados. As frases saem tortas e os gestos, imprecisos. Reviro-os até que encontrem forma e razão. Algumas colagens funcionam, outras viram poesia de esquina. E a vida segue, improvisando imagens que valem.

Há noites em que a esperança veste roupas de luto. Parece estranho, mas existe beleza até nisso. Aceitar o luto como parte do caminho é bem-vindo. Porque nele às vezes surge um novo broto. E o broto é o começo de outro começo.