Ha como eu Queria q ela Soubesse

Cerca de 469029 frases e pensamentos: Ha como eu Queria q ela Soubesse

⁠Amo a religião como narrativa mitológica: engraçada, caótica e impactante. Pena que ainda sirva como instrumento de poder e opressão.

Religiosos chamam ateus de "frustrados", mas é só porque não encontraram como criminalizar a descrença. No fundo, a frustração que eles veem nos ateus é só a frustração do próprio poder religioso sendo desafiado.

Muitos crentes se orgulham da fé que dizem possuir, comparando quem crê mais como membros vaidosos dum mesmo culto ao ego.

Como pode existir livre-arbítrio num universo onde o seu amanhã já é um fato do passado para quem o criou?

Como deus tem certeza de que não existe um deus anterior e maior do que ele?

A onipotência é frequentemente apresentada como poder absoluto. Porém, existe um limite que nem mesmo um poder ilimitado parece ultrapassar: a identidade.

Se um deus destrói completamente uma pessoa e depois cria outra exatamente igual, com as mesmas memórias, personalidade e aparência, ele não trouxe a pessoa de volta. Apenas criou um clone indistinguível. Compartilhar as mesmas informações não é suficiente para preservar a mesma existência.

A identidade não é apenas uma coleção de dados. Ela também depende da continuidade do próprio ser. Se essa continuidade é interrompida de forma definitiva, não há recriação que transforme uma cópia no indivíduo original.

Assim, a ideia de que um ser onipotente poderia destruir completamente alguém e depois restaurar exatamente o mesmo indivíduo enfrenta um limite lógico. O máximo que poderia fazer seria produzir uma réplica perfeita, não reverter a ruptura da identidade.

Se a identidade não pode ser recriada após sua destruição absoluta, então a onipotência não consiste em fazer literalmente qualquer coisa imaginável, mas apenas tudo aquilo que não viola princípios lógicos fundamentais.

Se deus é a nossa mãe, então muitos líderes religiosos seriam como crianças birrentas tentando provar que são os filhos favoritos, puxando o saco da mãe em troca de privilégios. Mas o coração duma mãe suprema nunca cria favoritos.

O verdadeiro teste de civilização não está no tratamento dos iguais, mas na forma como se administra o destino dos que não podem contratar, falar ou reclamar.

Toda crise contemporânea começa como um problema jurídico mal formulado.

O Direito Ambiental não trata apenas do planeta, mas da forma como a humanidade decidiu habitar o tempo.

Assim como o universo, o Direito está sempre em expansão.

A justiça nunca chega inteira, chega em versão editada, como uma campanha institucional.

A causalidade é uma ficção útil, vendida como necessidade para não descontinuar o sentido.

Toda sociedade legisla também contra si mesma, como quem lança campanhas de autocontrole coletivo.

A subjetividade é o primeiro território em disputa, como um mercado ainda sem regulação emocional.

O Direito transforma conflito em procedimento, como marketing transforma desejo em jornada.

A sociedade acredita na lei como acredita em marcas consolidadas.

No fim, bancos não lidam com dinheiro, mas com a forma como as pessoas acreditam nele.

O Direito não pacifica o mundo; ele apenas organiza o modo como a sua violência será narrada.

A religião nasce como ponte, mas frequentemente se transforma em fronteira.