Genuíno
“ Gostaria de desconhecer metade das pessoas que conheço, mesmo que isso me custasse um esforço bruto de trocar de nome, ou mudar de cidade. Porque, pôrra, cansa levar pessoas de um lado pro outro, na mente, de lá e pra cá, quando tudo o que nos resta delas são belos momentos juntos enterrados na memória, mas que já não significam nada. Cansa ter a agenda preenchida de contactos que nunca ligaremos, cansa ter a mente abarrotada de nomes de pessoas sem significado, e que connosco partilham de forma paralela a tristeza doce e infinita de uma solidão que nos abraça. Gostaria de poder ser outro, em outro lugar, sem essas crises constantes de desistência, e essa mania dóida de fazer os pensamentos sobre a morte uma ideia fixa. Talvez eu seja triste, acho que é isso ─ ou depressivo. Ou talvez só tenha entendido que todos, nalgum momento, precisamos recomeçar, mesmo que isso signifique que tenhamos que mergulhar perdidamente nos nossos pensamentos mais loucos. Gostaria de ser um fluxo contínuo, e para alguém significar mais do que um livro do qual se cansaram, uma pessoa que não gostam mais, ou um cigarro jogado no asfalto. Se eu pudesse conhecer alguém, gostaria que me olhasse nos olhos, e me lembrasse que as pessoas são isso, abutres, devoradores emocionais, nos dizendo que pode ser a última vez e que devemos amá-las com tudo o que temos. Ou que me recordasse que por mais que no presente as pessoas nos dêem tanta importância, um dia seremos lembrança, e noutro seremos menos que um pedaço cigarro jogado no asfalto.”
__ José Alexandre
Me senti leve, quando acordei sem a necessidade de dizer pras pessoas uma nova mentira sobre como eu me sentia. Não senti a necessidade de seguir o roteiro, nem ensaiei humores. Foi tudo num clique, porque, por mais que não pareça, cansa parecer feliz. Forjar um sorriso de uma ponta à outra, para me deixarem seguir sossegado, sem me desgastarem com questões que também venho buscando respostas. Talvez você me entenda, porque, como eu, também estejas cansado de acordar e seguir acordando no mesmo corpo, sendo a mesma pessoa, enfrentando os mesmos desafios quotidianos, nessa rotina árdua e maçante que nos sufoca. Hoje não foi difícil levantar, hoje fluí, li o jornal, tomei café, e segui fazendo os afazeres que me esperavam. Não tive vergonha por estar triste, apenas aceitei que não podia triunfar sobre a vida se continuasse carregando a minha arma com balas de festins, e que se não quisesse continuar caindo refém das coisas que fugia, tinha de parar de mentir para mim mesmo. Mas eu não sei se consigo, porque ainda caminho com esse coração esburacado onde escondo gritos, escondo choros, escondo madrugadas infinitas ao sabor de derrotas amorosas que me devastam, escondo ser apenas um falhado que apegou-se à um outro olhar porque tem medo de morrer sozinho, escondo um mundo amplo e vazio sempre que digo uma mentira capaz de me salvar das perguntas, porque sou fraco demais pra dizer que não está tudo bem.
“Se eu te disser que estou perdido, você vai me procurar? Se te disser que ontem foi mais uma noite daquelas e que hoje acordei cansado e com vontade de desistir, e que até as coisas mais belas da vida se tornaram pútridas diante da minha angústia, o que você fará? Você vai me procurar? Com aqueles olhos mortos de tristeza, me pedindo pra parar, ou com aquele pose divino de garota alemã, na crença de que a sua presença ainda move o meu mundo? Você suportará a imagem esquálida da minha presença em desgaste? Suportará a ideia de que tenho pensado em suicídio o tempo todo e que é por uma outra pessoa? Sabe o que é se sentir insignificante e trocado? Sabe o que é não ter forças pra levantar da cama numa tarde chuvosa enquanto a casa toda é inundada pelas águas? Não poder arrumar os lençóis, as roupas espalhadas, os talheres, as latas e as garrafas de bebidas inacabadas, os livros na estante, não poder arrumar nem a própria alma que se decompõe, sabe o que é isso? Não sabe, amor, você não sabe. Porque há sentimentos que só se entendem experimentando, não se aprendem na terceira pessoa.”
___ José Alexandre
E quando voltarmos ao prédio da escola não será preciso estar todos os dias no prédio da escola, porque nós aprendemos em qualquer lugar, desde que haja: um projeto de vida, um professor/mediador, um roteiro de estudo para pesquisa, desde que haja avaliação, porque uma prova não é avaliação e não prova nada.
“eu ouço falar muito de educar para a cidadania. Não é. É educar no exercício desse princípio de que individualmente sou responsável pelo meu coletivo. Minha liberdade começa onde começa a liberdade do outro. Questão de solidariedade, empatia. Competências do século 21, pelo menos na teoria”.
A vida nos dá mostras e provas, que nem sempre são fáceis de encarar mas, devemos aproveitar cada uma delas para fortalecer nosso espírito, confiando nas providências de Deus, aumentando nossa fé, para nos tornarmos cada vez mais, pessoas evoluidas e cientes de que somente o amor é importante e prevalecerá sobre todas as outras coisas da vida...
pessoas felizes valorizam tudo o que possuem, pessoas infelizes, sofrem por aquilo que não conquistaram.
”Não podemos mergulhar na tristeza, a vida é uma arte, é preciso ser vivida intensamente, com todas as alegorias de um bom carnaval” - Onofre
Este entrelaçado de galhos escuros
Nessa densa floresta da vida
Em sala de aula, os futuros
Pelos alunos, muito querida
Nestas árvores em bosque denso
Neste caldeirão de coisas fatídicas
Selva de pedra, trânsito intenso
De plantas de seivas verídicas
Gentil mulher de sorriso reluzente
Muito esforçada, incrivelmente inteligente
Muita noção da vida
8º anjo que o diga
Sonhadora iminente
Voa longe
Resiliente
Peita, do males, a fonte
Obrigado por estar aqui
De verdade
Viajante dos sonhos
Vidente da realidade
Do seu castelo é dona
Pinheiros no coração
Entretida na televisão
Ela é meio estranha
Sofá laranja, ideias em colisão
No pátio a mulher-aranha
Em saturno tu encontras tua concha
Da pedra da lua, você
E.T
Tudo isso que em ti habita
Como mentora a dar conselhos
Tentativa falha de compor
Em ti me espelho
Com todo o seu louvor
Poema estou escrevendo
Sem ver de onde saiu
Talvez de mim até ti
Mas sem nenhum ensaio
Vim para falar de sabedoria
O que nas linhas do universo
Já escrito se via
Num verso sem paralelo, sem inverso
Estou aqui a te implorar
O que rogo a ti
Meu encarecido torpor
Ao te admirar por me dar
A oportunidade de conhecer-te
Do Pai Nosso que lhe abençoou
Me fizeste bem, tão bem
A oportunidade de fazer o bem
A rima se repete e disso eu gargalho
Porque rapper eu não sou, nem avacalho
Tento porque tento.
Te dar o que não posso
Mesmo depois
De tanto te dar o que desgósto
E fico triste
Mas não vim falar
De coisa ruim ou sem asneira
Sem eu nem me perdoar
E essa tua habilidade de criar?
Onde o bem não há
E fazer o que se fez
Onde no coração, solidez
Flor, flores... como as margaridas
De amarelas pétalas
De belezas já ditas
A fragrância da leveza
Da pureza
Da simplicidade
...
Do universo que se expande
Ao universo que em ti habita
Se o vácuo é um Deus. Morte
Tu és uma Deusa. Vida
Porque tu crias
Não destrói
Todo o bem que fazes
Para tantos seres
Nessa existência
Tenho consciência
E de geração em geração
És a reencarnação da divina
Da existência a importância
Como a do sol, sua relevância
Tudo isso que em ti habita
A verdade é algo doloroso, cuja qual, nenhum ser humano está incondicionalmente preparado para ouvir. Pois, está tão feliz acostumado com mentiras, que se ouvir uma pequena verdade sente-se mal e não acredita. Jose Meireles
