Genuíno

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Grande coisa, afinal, é o suor
Sem ele, a vida não seria luta,
Nem o amor amor.

José Saramago
Os Poemas Possíveis

A palavra de que eu gosto mais é não. Chega sempre um momento na nossa vida em que é necessário dizer não. O não é a única coisa efetivamente transformadora, que nega o status quo. Aquilo que é tende sempre a instalar-se, a beneficiar injustamente de um estatuto de autoridade. É o momento em que é necessário dizer não. A fatalidade do não - ou a nossa própria fatalidade - é que não há nenhum não que não se converta em sim. Ele é absorvido e temos que viver mais um tempo com o sim.

Não se percebeu ainda que o instinto serve melhor aos animais do que a razão serve ao homem.

Em rigor, não tomamos decisões, são as decisões que nos tomam a nós.

José Saramago
Obra: Todos os nomes

Pobres são aquelas pessoas que precisam de muito para viver.

As coisas que parecem ter passado são as que nunca acabam de passar.

José Saramago
Obra: A Caverna

Quando fores crescido, hás de querer ser feliz. Por enquanto não pensas nisso e é por isso mesmo que o és. Quando pensares, quando quiseres ser feliz, deixará de sê-lo.

José Saramago
SARAMAGO, José. Claraboia. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

Nunca terá sido perdido o dia em que fomos contemplados, ao menos, com um bom conselho.

Se não houvesse tristeza nem miséria, se em todo lugar corressem águas sobre as pedras, se cantassem aves, a vida podia ser apenas estar sentado na erva, segurar um malmequer e não lhe arrancar as pétalas, por serem já sabidas as repostas, ou por serem estas de tão pouca importância, que descobrí-las não valeria a vida duma flor.

José Saramago
Memorial do Convento

Perder tempo a explicar por que gosta seria pouco menos que inútil, há coisas na vida que se definem por si mesmas, um certo homem, uma certa mulher, uma certa palavra, um certo momento, bastaria que assim o tivéssemos enunciado para que toda a gente percebesse de que se tratava, mas outras coisas há, e que até poderão ser o mesmo homem e a mesma mulher, a mesma palavra e o mesmo momento, que, olhadas de um ângulo diferente, a uma luz diferente, passam a determinar dúvidas e perplexidades, sinais inquietos, uma insólita palpitação...

⁠O grande problema do nosso sistema democrático é que permite fazer coisas nada democráticas democraticamente

Arrasamos a selva, as selvas verdadeiras, e implantamos selvas anônimas de cimento. Enfrentamos o sedentarismo com esteiras, a insônia com comprimidos, a solidão com eletrônicos, porque somos felizes longe da convivência humana.

Ensinemos a perdoar, porém, ensinemos também a não ofender. Seria mais eficiente. Ensinemos com o exemplo, não com a ofensa. Admitamos que, na primeira vez se ofende por ignorância, mas acreditemos que, na segunda, costuma ser por vilania. Não se corrige o mal com o mal, com a complecência ou a cumplicidade. Ele é nocivo como os venenos e deve-se enfrentá-lo com antídotos eficazes, a reprovação e o desprezo.

Muitas pessoas passaram por mim, dia após dia.
Mas somente algumas dessas pessoas, ficarão para sempre em minha memória.
Essas pessoas são ditas amigas, e as levarei para sempre em meu coração,
às vezes pelo simples fato de terem
cruzado meu caminho,às vezes pelo simples fato de terem dito uma única palavra de conforto quando eu precisei.
Às vezes por ter me dado um minuto de sua atenção,e me ouvido falar de minhas angústias, medos, vitórias, derrotas...
Isso é ser amigo: é ouvir, é confiar, é amar.
E amigos de verdade,
ficam para sempre em nossos corações,
assim como as pegadas na alma, que são indestrutíveis...

Os sismógrafos não escolhem os terremotos, reagem aos que vão ocorrendo, e o blog é isso, um sismógrafo.

José Saramago

Nota: Trecho de uma entrevista feita pelo jornal argentino "Clarín", em Junho de 2009.

A vida, que parece uma linha reta, não o é. Construímos somente uns cinco por cento da nossa vida, o resto fazem os outros, porque vivemos com os outros e às vezes contra os outros.

José Saramago
As palavras de Saramago. São Paulo: Companhia das Letras, 2010.

Nem aqui, nem agora. Vã promessa
Doutro calor e nova descoberta
Se desfaz sob a hora que anoitece.
Brilham lumes no céu? Sempre brilharam.
Dessa velha ilusão desenganemos:
É dia de Natal. Nada acontece.

José Saramago
Os Poemas Possíveis

Erro da vida

"Nascemos com os olhos fechados e a boca aberta e passamos a vida inteira a tentar inverter esse erro da natureza."

"As grandes oportunidades de ajudar os outros raramente acontecem,
mas as pequenas surgem todos os dias."

"Não se pode conter uma gargalhada, tal como não se pode deter a maré.
Ambas são forças na natureza."

"Enquanto as pessoas inteligentes conseguem freqüentemente simplificar o que é complexo, um tolo tem mais tendência a complicar aquilo que é simples."

"A tradição mantém-se porque a juventude capta o seu romance e lhe junta novas glórias."

"Qual a diferença entre a realidade e a ficção? A ficção tem de fazer sentido."

"Ser grande não significa necessariamente ser melhor. Os girassóis não são melhores que as violetas."

"Mais vale ser decidido e arriscar estar errado, que passar a vida angustiado e ter razão tarde demais."

"A televisão pode dar-nos muita coisa, exceto tempo para pensar."

"O que está para trás e diante de nós são pequenos detalhes se comparados
com o que se passa dentro de nós."

"Se a janela da oportunidade se abrir, não baixe a persiana."

"O respeito é como um sorriso: não custa nada e todos gostam."

"O amor é como um violino. A música pode parar de vez em quando,
mas as cordas estão sempre lá."

"Um lugar passa a ser nosso quando sabemos aonde vão dar todas as estradas."

Estamos neuróticos. Não só existe desigualdade na distribuição da riqueza como também na satisfação das necessidades básicas. Não nos orientamos por um sentido de racionalidade mínima. A Terra está rodeada de milhares de satélites, podemos ter em casa cem canais de televisão, mas para que nos serve isto neste mundo onde tantos morrem? É uma neurose coletiva, as pessoas já não sabem o que é que lhes é essencial para a sua felicidade.

José Saramago

Nota: (publicado em Zero Hora, 1997) José Saramago, sobre a nossa neurose.

Quando eu penso em desistir, eu lembro o quanto foi duro chegar até aqui.