Gente Metida
O encanto está naquilo que a gente não consegue decifrar, apenas sentir, a magia reside sempre no mistério e no que é inexplicável.
A vida é a dança entre o que a gente planeja e o que realmente acontece, e a sabedoria é aprender a conduzir no ritmo da realidade.
A dor só é insuportável enquanto a gente se recusa a nomeá-la, o reconhecimento é o primeiro passo para a anestesia.
A leveza não é a ausência de problemas, é a forma como a gente os carrega, é a escolha de não ser âncora do seu próprio navio.
A gente é o que a gente permite que fique, e o que a gente decide que vá, a vida é a curadoria constante do nosso próprio espaço interno.
O mundo passa com pressa e leva pedaços da gente como folhas ao vento. Resta um bilhete amassado no bolso: “sobrevivi por pouco”.
Não é glória, é quase legenda de uma fotografia torta, mas serve para lembrar que ainda posso olhar e contar.
A nostalgia é um veneno de sabor doce que a gente toma todas as noites, acreditando que o ontem era melhor apenas porque o hoje dói de um jeito novo. Ficamos viciados no que fomos, enquanto o que somos se desfaz como fumaça entre os dedos cansados.
Escrever dói porque exige que a gente revire o lixo emocional em busca de algo que ainda preste, de algum resto de luz que não tenha sido consumido pela ferrugem. É um garimpo em um lixão de memórias, onde a joia mais rara é apenas a coragem de não desistir da busca.
O destino é um escritor sádico que gosta de colocar pontos finais onde a gente só queria uma vírgula, e exclamações de dor onde o silêncio seria mais caridoso. Eu tento retomar a caneta e escrever meu próprio rodapé, mesmo que seja apenas para protestar contra o enredo.
A verdade é que a gente nunca supera nada, apenas se acostuma com o peso e aprende a equilibrar o fardo para que ele não esmague a coluna de uma vez só. A superação é uma lenda urbana contada por quem nunca teve que carregar um cadáver emocional nas costas.
A tristeza é um mar calmo onde a gente pode afundar sem fazer barulho, deixando que a pressão da água nos abrace até que não sintamos mais o frio da superfície. É um refúgio perigoso, um abraço de ferro que nos protege do mundo ao custo de nos tirar o ar.
A gente não combina com tranquilidade…
a gente combina com intensidade,
com histórias que não se explicamsó se vivem.
DeBrunoParaCarla
Na estrada da vida, a gente anda tão só. Sofrer é algo opcional, mas nem sempre a oportunidade e as escolhas são favoráveis a nós mesmos. Eu já me lamentei, já chorei, mas a vida me ensina a dar passos que eu não posso parar.
O VALOR DO QUE É ETERNO
(Homenagem Póstuma Rita Lee)
Existem palavras que a gente escreve e que ganham asas próprias. Hoje, decidi fazer um resgate de um momento que foi um verdadeiro divisor de águas na minha trajetória literária.
Os que estão me conhecendo agora talvez não saibam, mas essa frase de minha autoria — que nasceu no início das minhas publicações aqui no site Pensador que acabou atravessando fronteiras que eu jamais imaginei.
Em maio de 2023, durante a despedida da nossa eterna Rita Lee, essas palavras foram escolhidas pela atriz Isis Valverde, para prestar uma homenagem póstuma que repercutiu em veículos como a Revista Caras.
"O que importa é o talento que vem da alma, o corpo é perene e em breve se desfaz... a alma se perpetua na imortalidade!"
Mesmo após algum tempo, faço questão de trazer esse registro novamente. Primeiro, porque a imortalidade da alma e do talento (como o da Rita) nunca sai de moda. Segundo, para reforçar que cada micro-conto, cada crônica e cada verso que compartilho aqui carrega essa mesma verdade e dedicação de anos.
Agradeço a cada um que faz parte dessa jornada comigo, desde o início ou desde agora.
Lu Lena / 2026
A gente não precisa,
De uma exposição de afetos.
A gente só quer,
Disposição de quem desejar viver isso.
