Frutos das Árvores
"Plante uma árvore, mesmo
que demore muito a dar
frutos ou sombra, pois se
alguém não tivesse plantado,
você estaria no sol e não
estaria comendo o fruto."
Livro: Aceite ou Mude...
Foi embora um fruto, mas a árvore ficou. E suas raízes são muito fundas para tentarem arrancar.
Da arvore da felicidade só quero os frutos, do pé da harmonia só quero as flores, e a raiz da saudade deixo debaixo da terra mesmo, bem guardada para quando eu quiser lembrar eu possa desenterrar.
Colheita
Eu procurava o amor em jardins de cactus. Vinha buscando o fruto em árvores erradas, e nas mordidas sentia o gosto azedo, que amarga no fim da boca. Colhi amores podres, comidos pelo tempo e dor.
Foi preciso paciência – e um outro tempo – amadurecendo um fruto para colhê-lo doce, suave, terno e delicado. Simples como naturalmente é.
Eu imaginava haver segredos por trás dos espinhos. Mas é puro acaso que amores e espinhos se encontrem em botões abertos ou fechados. A rima entre amor e dor é armadilha.
O verdadeiro fruto está ao alcance das mãos – mas é tão rasteiro, que quase não se vê. É preciso passear sem fome para enxergá-lo redondo, vermelho. Para então mordê-lo distraído como numa tarde de chuva.
“Dedique-se a uma causa sem paixão, e colherá frutos ácidos de uma árvore plantada em solo árido, por melhor que seja a semente.”
A amizade é como uma árvore que Deus planta em nossa vida e cujo ciclo se expande: ela dá frutos (novos amigos) que geram mudas (novas amizades), transformando a sua vida em uma floresta de afetos.
Cuide dela: regue com amor e carinho, mas use com cuidado (inseticidas) para não permitir que pragas (inveja) destruam a essência de Deus em sua amizade.
A fé é como uma árvore que cresce para a Eternidade.
Deus conhece cada coração pelos frutos que produz na colheita da vida.
A sabedoria é uma bênção? Para os religiosos, comecemos em Gênesis: qual árvore provém o fruto proibido, a árvore da vida eterna ou a árvore da sabedoria e do conhecimento? A da sabedoria. Antes dela havia inocência; depois, consciência, culpa, dor e morte. E por esse pecado pagamos até hoje, o conhecimento inaugura a queda. Então, como isso seria uma bênção, se começou através de um pecado?
Quanto mais se sabe, menos se sabe; e quanto mais se questiona, aos poucos as coisas vão perdendo o sentido, se é que um dia já tiveram sentido. Vamos caindo em contradições e dilemas, perguntas sem respostas.
Mas por que seria uma bênção algo que é constante e inalcançável como o amor?
Nove em cada dez pessoas conhecem o atalho que lhes convém: sacodem a árvore, apanham os frutos que caem e seguem adiante com a sensação de vitória imediata. Esse gesto é prático, rápido e recompensador no curto prazo. Mas o atalho não cria raízes, e o que nasce de atalhos costuma murchar quando o vento muda.
Plantar é um compromisso silencioso com o futuro. Exige terra preparada, sementes escolhidas, rega constante e a paciência de quem aceita que o tempo tem ritmo próprio. Enquanto o sacudir da árvore celebra a pressa, o plantio honra o processo: cultivar é investir em algo que ainda não existe, é aceitar a incerteza e trabalhar mesmo sem garantia de colheita imediata.
Quem vive apenas de atalhos paga um preço invisível. Frutos colhidos sem preparo são passageiros, relações superficiais, resultados frágeis. A pressa transforma oportunidades em miragens e cria uma cultura de consumo instantâneo onde o valor real do esforço se perde. A longo prazo, a falta de preparo corrói confiança, esgota recursos e impede a construção de legados.
Escolher plantar é escolher responsabilidade. É preferir o trabalho que não aparece nas manchetes, as horas que não viram curtidas, o suor que não rende aplausos imediatos. É entender que o verdadeiro poder está em semear com intenção e em esperar com disciplina. Quem planta hoje garante frutos amanhã; quem só sacode a árvore vive sempre à mercê do que já caiu.
Não se trata de demonizar a eficiência, mas de reconhecer que eficiência sem fundamento é ilusão. Cultive o hábito de plantar: prepare o solo, escolha bem as sementes, cuide com constância. O tempo fará o resto, e a colheita será sólida, digna e sua.
Ignore essa velha árvore desgastada; observe os frutos, pois é neles que se revela meu verdadeiro valor.
As árvores frutíferas são aquelas, cujo adubo foi colocado por Deus para abençoar as almas que viver da Sua agricultura.
