Frio
E um dia perguntei ao vento:
-O que é o frio?
e ele me respondeu com um assovio
triste que me arrepiou a alma:
-O frio não quer se dar
não quer se entregar
O frio é o Medo de amar
Gosto do inverno...
do frio, da chuva,
do vento gelado na cara em dias de sol
de me enrolar nas mantas
de me aninhar num outro corpo quente
da lareira acesa... se a tivesse
Queria tanto que tu fosse o meu Chimarrão, pra me esquentar nos dias frios e me fazer companhia nos dias de solidão.
AGOSTO
Bate na porta o agosto
Todo vestido de cinza
Mas tudo tem o seu posto
Mesmo na geada em que pisa
Um tempo pra reflexão
Onde se hibernam dormentes
Sementes que florirão
Carregando no seu ventre
Cores à nova estação!
Certo de que seria uma dádiva se eu pudesse ser iluminado pelo brilho entusiasmado dos teus olhos e pelo refulgir intenso do teu sorriso, um momento simples seria grandioso, uma forma de perceber que eu teria ultrapassado a tua superfície e alcançado a profundidade da tua essência, saboreando uma emoção sublime, acolhido pela viveza do teu coração, um sol de verão nos meus dias nublados, um fogo que sobrevive ao frio, o privilégio de poder sonhar acordado, um amor que não estaria sozinho, sendo fortemente correspondido com os nossos caminhos entrelaçados, vívidos, não sei se um dia, isso tudo irá acontecer de fato, entretanto, no mínimo, agora, desfruto de um devaneio genuíno, deleite do meu imaginário.
Não questione um gélido coração se desconhece as razões que o fizeram assim. Aprenda, o mundo não parará para enxugar suas lágrimas.
Aqueça o lugar que lhe faz sentir frio, deixe o calor da vida fazer parte de ti, não rassure mais as linhas escrita de sua história,
Frio de Outono
Está uma tarde fria
sinto pelos pés
termômetro infalível
Já é hora para um longo banho quente
repudiar os edredons e cobertores
que abrigam a cama
esquecer o pijama de flanela
e sem lamentos
o corpo agasalhar
calçar as botas e luvas
e sair pra labuta.
Ecos de uma Nova Estação
É inverno, e sinto o frio se aproximar.
Há um sussurro gelado que dança nas folhas que restam,
como se as árvores se vestissem de ausências,
despindo-se de folhas, como almas diante do inevitável.
Suas sombras alongam-se,
guardiãs de um silêncio que só o inverno traz.
Os pássaros emigram,
levando sonhos e canções para terras distantes,
enquanto nós, aqui, envoltos em mantos e lembranças,
esperamos a temperatura cair,
como quem espera o nascer de um poema.
Os bancos do parque, agora vazios,
guardam histórias de verões passados,
memórias aquecidas pelos sorrisos que se foram,
tal qual lembranças escondidas em caixas de sapatos.
E há, sempre, a estátua do herói,
imóvel em seu bronze e sua glória,
silenciosa testemunha de nossa transição,
do calor para o gélido aconchego das novas manhãs.
Nas ruas, a pressa dos passos se transforma em lentidão,
como se o frio pedisse um compasso diferente,
um momento para refletir,
para sentir a terra e o tempo.
Internamente, ecos de uma nova estação.
Chove bastante aqui dentro,
venta forte e inverno-me.
Mas, ao invés de praguejar, varro as folhas caídas,
agradeço o beijo da brisa,
e tento preservar os galhos,
até o meu próximo florescer.
Talvez
Talvez nada tenha a importância
Do tamanho da minha audácia
Talvez tudo não passe de imaginação
Mesmo assim tudo é dilúcido
Da soleira o espero pacientemente
O frio do granito gela os pés
O cobertor aquece meu corpo
Mas não meu coração...
Rompo as palavras
Guardo-as no intimo da noite
Quando o silêncio pernoita
Criteriosamente deito e adormeço.
Quando passar o vento, o frio vento, eu vou sorrir. O vento frio me traz lembranças que até a razão pode ter medo e chorar, mas eu não, eu vou sorrir. Lembranças é um ato de me apaixonar por mim a cada vento desses que me ocorrem em frio na espinha da alma, afinal, se tenho lembranças é unicamente por ter passado vivo por todas as experiências, e quando um dia a vida me levar para seu lado oposto e meus olhos forem fechados, então eu choro, por que serei a carne fria das minhas lembranças.
Noite fria com céu nublado,
À espera da chuva cair.
Sinto a brisa do meu lado.
Sinto por aqui o clima bom ir.
Estou ao seu lado aguardando o temporal,
As nuvens sobrecarregadas de água.
O portão coberto pela ferrugem,
Com calma aprecio o café matinal.
As folhas das árvores voam com o tempo.
Sou apreciado pelos seus sentimentos.
E, a chuva está caindo do lado de fora.
O cheiro da grama se espalha pelo local.
Pode ser que não há mais temporal.
O tempo ruim foi embora e o sol está lá fora.
Longas noites , de chuva, de frio , de ameaças , duvidas , incertezas .
Não sabem quem eu sou , mas de certeza já me viram numa cidade , nas noites longas .
Lábios que tremem de frio no inverno.
Que faz as palavras tremerem
quando tremem os lábios.
Os lábios, as palavras, os sentidos,
balbuciam no soluço,
e fremem quando contemos a soluçar.
