Frieza
O que só a plebe percebe é a frieza da beleza no berço da realeza... que a mesma tenta esconder.
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Diante de um abismo,
às vezes, um coração congela,
o sentimento fica frio,
não com uma frieza que mata,
mas que preserva
como as águas de um rio
que congelam sua superfície no inverno,
entretanto, continuam vivas por dentro.
No decurso de certas ocasiões, afasto a frieza de um dia chuvoso, ouvindo uma sonoridade calorosa, cuja emoção vai ficando mais forte aos poucos, às vezes, num tom mistério, um fogo impetuoso que prende a minha atenção, esquenta o meu corpo com ardentes sentimentos que conversam com meu coração e organizam os meus pensamentos, resultando em inspiração para que eu faça alguns versos.
Com instinto de sobrevivência, o coração partido pode se envolver de um certa frieza para preservar o amor que ainda lhe resta como as geleiras sob um sol resplandecente, uma chama que é mantida acesa, onde a vida continua a pulsar, talvez, a necessária resistência de quem não desistiu de amar.
Ninguém passa a agir mais friamente em determinadas situações sem um forte motivo, não quer dizer que tenha se tornado alguem sem emoções, totalmente, insensível e sim que suas demonstrações de afetos não serão sempre imediatas, passou a ser menos impulsivo, após algumas expectativas frustradas.
Quem sabe um dia, aquele calor preservado pelo frio, possa voltar a se destacar em demasia com um fluir potente e amável que nem a fluência de um rio outrora congelado, um caminho difícil, mas às vezes necessário, pois seguir sozinho continua sendo melhor do que está mal acompanhado.
Intensa doçura às vezes revestida de uma certa frieza como uma forma de auto-preservação por já ter saboreado o sabor amargo da indiferença, por isso que o seu amor é tão raro, o seu apreço é sincero, faz valer cada instante ao seu lado, uma versão prudentemente compartilhada com poucos, os quais são agraciados semelhante aqueles que podem ver o nascer do sol, que param para observar a lua com um resplendor majestoso, conseguem admirar o desabrochar de uma linda flor, sem dúvida, ela provém do Deus amoroso, sendo uma intensa doçura.
Envolto na calmaria de um céu acinzentado, que dispõe de uma certa frieza, a presença de alguns fragmentos verdejantes, percebendo que o silêncio aos poucos está sendo quebrado por uma melodia emocionante, notas tocadas com gentileza, um tipo de som apropriado para trazer um calor amável, mais leveza ao coração, assim, o frio logo é ignorado graças a uma lúdica satisfação, impacto de uma arte sonora, da calma à inspiração, poesia calorosa, frutuosa interação.
A frieza por mais resistente que seja, pode ser fortemente contrariada por emoções sinceras e calorosas, a gentileza de uma alma persistente, cuja chama de amor não se apaga, sua liberdade não se perde,
cada vitória é exaltada, então, a fé em Deus resplandece, a gratidão se propaga por todo o seu coração com a leveza de uma dança emocionada que faz cada emoção ganhar movimentos, uma expressão viva e sem palavras
Persistência rara, calor atípico, muito resiliente, tão vivo que mesmo num frio mais denso, aquece com eficácia assim como o sol que continua brilhando e aquecendo até os céus acinzentados durante a estação do inverno.
O prato da amargura e mãe da destruição.
A guerra é um prato frio, e que se come com frieza, irmã da vingança e aliada do desespero, ela faz a sua vida se torna um pesadelo.
Geradora da fome, e promovedora de chacinas a guerra espelha uma vida sofrida,
onde sobreviver é a unica alternativa.
Quem vive em meio a guerra não pensa em ser artista, vive em meio a fome e luta para se manter vivo.
"Meu raciocínio é extremo, minhas palavras são veneno e há pessoas que acham que eu sou frio, não concordo. Sou apenas um mestre no que faço."
"Um dia me perguntaram por que sou tão fria, eu me virei com calma e essa foi a resposta; Meu ser é vazio."
"Infelizmente eu não posso lhe oferecer nada de bom, é que as pessoas só podem oferecer aquilo que possuem."
É como se eu fosse oca por dentro. Dificilmente me importo com alguma coisa ou sinto alguma coisa, seja raiva, alegria, tristeza ou amor. Só não me importo mais.
Translúcida
Sobre tudo que aconteceu,
Agora paro para refletir.
Posso ter chorado, sofrido, te amado.
Tudo materializado por uma alma insana.
Buscando meu pico de centralidade,
Rodo como um pião afinando meu eixo.
A maturidade bate na porta.
Ajusta os ponteiros,
Calcula horas, dias e meses de desespero.
Com tanta desesperança,
Parece que o pique esconde é com a felicidade.
Que hoje vive em local incerto e não sabido.
Assim como um criminoso ou forasteiro,
Machuca pessoas, vem com data e hora para ir embora.
E some.
Nessa seca de verão,
Secou tudo.
Canal, afluentes e coração
Descrente com as águas de março,
Sigo sem salvação.
Terreno quando judiado pelo tempo,
Nasce flor com espinhos.
Esse meu jeito frio de ser se formou com o tempo, abandono, constrangimento e sofrimento. Ser fria é o único modo de me proteger do ser humano, da vida, do mundo.
