Frases sobre eu (definições cheias de atitude e personalidade)

Não estou quebrado, estou apenas saturado: excesso de ontem, excesso de nós e excesso de mim mesmo.

Luto diariamente para não me tornar um fantasma de mim mesmo, um corpo que ocupa espaço, mas que já não habita o presente.

O sono, para mim, é apenas um campo de batalha onde os monstros do dia trocam de roupa para continuar o cerco sob o véu da noite.

A fé, para mim, é o suspiro de quem, no escuro absoluto, ainda estende a mão esperando tocar a orla de algo sagrado. É saber que Deus me vê mesmo quando eu mesmo me tornei invisível para o espelho.

Carrego dentro de mim um cemitério inteiro de versões que precisei enterrar para continuar, e mesmo assim, insisto em florescer como quem desafia a lógica da própria destruição.

O sofrimento me atravessou como uma lâmina, mas não encontrou em mim um lugar definitivo para morar.

O silêncio que hoje habita em mim já foi um grito desesperado que ninguém quis ouvir.

Carrego em mim a estranha mutação que nasceu no instante em que percebi que, mesmo em ruínas, ainda havia algo que se recusava a ceder, um pulso teimoso, quase indomável, insistindo em existir contra o próprio vazio.

Há um silêncio dentro de mim que não é ausência, mas excesso de tudo que nunca pôde ser dito.

Existe uma parte de mim que nunca será leve e foi ela que me manteve vivo.

Existe uma força em mim que não é bonita, é necessária.

Há um abismo dentro de mim que não me engole mais, apenas me acompanha.

Há dias em que caminho como quem atravessa um inverno sem fim. Dentro de mim, tudo parece frio, pesado, quase irreconhecível. Cada passo é menos coragem do que insistência em não cair. E sigo, não porque a dor diminuiu,
mas porque me recuso a deixar que ela escreva o fim da minha história.

Existe uma parte de mim que continua acreditando. Mesmo quando tudo ao redor desmente qualquer esperança. É ela que me mantém de pé quando o resto já vacila. É ela que me empurra adiante. E, por vezes, essa pequena chama vale mais do que qualquer certeza.

Há palavras que nunca saíram de mim. Não por falta de desejo, mas porque pressenti que o mundo não saberia recebê-las. Então elas ficaram aqui, acumulando peso e silêncio. E o que não se diz, com o tempo, também fere.

Há noites em que sinto a alma caminhar por corredores invisíveis dentro de mim, como se Deus permitisse que certas dores permanecessem apenas para que eu jamais esquecesse a profundidade daquilo que sobrevivi.

Há em mim uma melancolia antiga, quase litúrgica, como se minha alma carregasse memórias de tempestades que minha própria consciência já não consegue nomear.

Carrego dentro de mim um excesso de permanências. Pessoas, dores e memórias que partiram do mundo, mas continuam habitando meus pensamentos como catedrais abandonadas.

Existe uma parte de mim que ainda conversa em silêncio com tudo aquilo que perdi.

Há em mim um homem que sofre em silêncio, observa com profundidade, recorda com saudade e reza com esperança. Talvez seja por isso que minhas palavras nasçam das cicatrizes: porque algumas dores só encontram descanso quando se tornam literatura.


- Tiago Scheimann