Frases Fim de Curso Engenharia Civil

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Os sonhos que guardei cabem numa caixa de fósforos. A cada vez que a abro, a chama revela detalhes. Às vezes acendo e vejo um quadro de infância. Outras, o fogo apaga e sobra apenas fumaça cor de saudade. Continuo acendendo porque a cena vale o risco.

Meus sonhos se enrolam como fios de lã mal tricotados. Às vezes puxo um fio e desfaz tudo que fiz. Outras, consigo transformar em manta para me cobrir. A habilidade é saber quando parar de puxar. E aprender a tricotar com as mãos que tenho.

O silêncio é uma cidade onde aprendo a falar devagar. Lá as frases caminham com sapatos macios. Não há pressa de entender, só desejo de existir. E nesse lugar, até o pensamento encontra abrigo. Volto diferente de cada visita.

O desapego me veio aos poucos, como quem descasca fruta. No começo dói, depois suaviza o gosto amargo. Libertar é reconhecer que não trazemos nada do mundo. Só algumas estrias e memórias para contar. E isso basta para sermos ricos de experiência.

Eu tentei seguir, mas o vazio caminha comigo. Ele senta ao meu lado, dorme na minha cama, repete suas lembranças como uma oração torta. Seguir em frente, às vezes, é apenas aprender a carregar o peso sem deixar que ele nos destrua por completo.

Sou um grito que aprendeu a cadência da respiração. A dor continua lá, mas eu aprendi a caminhar com ela.

Administro um cemitério interno de sonhos anônimos, alguns têm lápides de luxo, outros foram enterrados vivos no esquecimento.

O mundo é um moinho que tritura nossos sonhos até que eles virem farinha para o pão de cada dia, uma massa insossa que comemos apenas para sobreviver. Eu tento temperar essa massa com um pouco de poesia amarga, para que o sabor da existência não seja totalmente esquecível.

O destino é um tabuleiro de xadrez onde eu sou apenas um peão que sonha em ser rei, mas que sabe que acabará sendo sacrificado para que o jogo continue sem mim. Aceito meu papel com a dignidade de quem sabe que, na caixa, todas as peças voltam a ser do mesmo material.

Eu carrego um deserto na boca do estômago, onde cada passo é areia movediça e cada sonho, um miragem que não se aproxima.

Eu me reconstruí tantas vezes que já não sei mais onde termina a dor e começa a coragem.

A verdadeira liberdade começa quando você para de pedir desculpas por existir da maneira que consegue, aceitando que a sua estranheza é o seu maior trunfo e que ser normal é apenas uma forma educada de estar morto por dentro enquanto o coração ainda bate ritmado.

O brilho nos olhos de quem já perdeu tudo e começou do zero tem uma intensidade diferente, um fogo que não depende de combustível externo, mas de uma brasa interna que aprendeu a queimar mesmo debaixo da chuva mais torrencial que a vida pôde enviar.

O mundo exige pressa. Minha alma, porém, ainda caminha devagar. Ela precisa olhar para trás, entender o que ficou pelo caminho, porque seguir sem elaborar a dor é apenas outra forma de se perder.

Há noites em que sinto a alma caminhar por corredores invisíveis dentro de mim, como se Deus permitisse que certas dores permanecessem apenas para que eu jamais esquecesse a profundidade daquilo que sobrevivi.

O tempo passa, mas certas dores aprendem a caminhar ao nosso lado.

A alma aprende a caminhar mesmo quando o destino desaparece da vista.

Talvez viver seja isso: aprender a caminhar acompanhado pelo próprio enigma, sem exigir que a estrada explique o destino.

O destino pode dilacerar a carne, deformar os caminhos e silenciar os sonhos, mas jamais alcançará aquilo que escolhi governar: meu caráter.

A consciência é o único lugar onde o passado continua acontecendo, o futuro já começou a doer e o presente nunca permanece tempo suficiente para existir