Leomir Barbosa: Digamos que nós nos apaixonaríamos....

Digamos que nós nos apaixonaríamos. Digamos que nós ficaríamos juntos uma noite e na noite seguindo também, seguida de outras cinco noites. Digamos que começaríamos a encarar o fato de que estávamos loucamente envolvidos e digamos também que já não suportaríamos o fato de sentirmo- nos mal quando nos sentíamos longe. Digamos que nos acostumaríamos a estarmos juntos todo o tempo: No intervalo das aulas e no portão da escola, em todos os fins de semana, em todas as noites e todas as tardes a apreciar o beijo do sol com o horizonte. Digamos que toda gente do nosso círculo afetivo passariam a nos olhar com vista torta porque parecíamos bobos e infantis. Digamos que até achariam nosso beijos um tanto nojentos e nossa troca de palavras coisa muito melosa. Digamos que isso passaria a pouco nos importar: Falo das pessoas, dos compromissos, das tardes que gastávamos lendo um livro ou vendo um filme, das noites que saíamos com nossos amigos ao cinema ou a quadra de esportes. Digamos que passaríamos a notar que tais coisas começariam a nos fazer falta e perceberíamos que todo o tempo junto não era necessariamente e unicamente o que nos fazia bem. Digamos que passaríamos a nos ver horas menos do que de costume, dias menos do que de costume e nos ligávamos menos do que costumávamos ligar. Digamos que nosso beijo havia mudado, desconfiaríamos. Nossa troca de palavras passaria a ser ofensiva ao invés de carinhosa. Nossos encontros passariam a ser para discutir sobre fulano ou cicrano que ouviu de beltrano que disse alguma coisa sobre pôr um fim nisso tudo. Digamos que brigaríamos feio e que acharíamos melhor mesmo pôr um fim. Digamos que não nos veríamos mais, não ligaríamos mais um pro outro e nos distanciaríamos a tal ponto de já não nos lembrarmos de quão bom foi nossa primeira noite, nosso primeiro beijo tremulo e a cara debochada dos visinhos quando nos viam passar de mãos dadas distribuindo sorrisos gratuitos. Digamos que depois de tudo isso restar-nos-iam boas memórias de bons e velhos momentos. Digamos que o tempo passaria e triplicaria em velocidade, um guepardo. Digamos que mesmo assim diríamos para nós mesmos que valeria a pena. Só digamos, veja bem, valeria?

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