Brincando de ser sincero. "É... Brunno Leal

Brincando de ser sincero.

"É complicado afirmar que o encanto simplesmente acabou, mas não havia como camuflar. A verdade é una: Sentimentos não podem ser manipulados.
Se fosse pra acabar assim, de repente, não haveriam motivos pra todas aquelas idealizações. Ora, pra quê tantas noites mal dormidas, então? Até em meus sonhos ela vinha me negacear. E eu, feito um tolo, desenhando o momento que falaria tudo aquilo que ela jamais pensara ouvir de um homem. Eu tinha o diferencial: Estava desarmado. Não estava em guerra, tratei de hastear a bandeira branca desde o início e provar a mim mesmo que poderia estar trajado apenas da mais cristalina verdade. Mas não foi suficiente. Não pra mim.
Pode parecer que não, mas eu sempre soube o que queria. Brincar de ser sincero tem seus momentos, e ensaiar e planejar a mais nobre prova de amor que possa existir é paradoxar com o medo e a insegurança de uma má interpretação. A intenção não era mais transparecê-la em folha de papel, descanso de tela, reflexo em rio ou olhos fechados. Viver de teoria é amedrontar-se com o que o amor nos reservou. Tratei de cobrir minha timidez e seguir em frente.
Mas vamos combinar que o amor não é flor que se cheire. Você encontra a pessoa certa, que te completa físicamente, por ideias, tremeliques, suor e respiração ofegante. Um raio caiu na sua cabeça. Tem gente que está na terceira encarnação e ainda não deu essa sorte. Parabéns, felizardo! Parabéns? Coloque o pé no chão e olhe ao seu redor. Você ensaiou uma peça que não entrará em cartaz. Abortou o amor às vésperas de parir. Mas que fique bem claro: Aborto espontâneo.
E agora, como justificar aquelas juras de amor feitas a mim mesmo acerca dela? Estava combinado, disponibilizaria amor integral e incondicional, mas essa história de querer amar demais pode ser uma armadilha do acaso. Mas então, qual será a saída? Amar sempre com um pé atrás? Amar de olhos abertos? Amar é se doar, e quem doa não pode enxergar restrições.
Tentei ouvir de você onde morou nosso erro. Não pense que, do alto da minha covardia, lhe culparia por isso. A verdade é que tentamos fantasiar a realidade, e o efeito reverso pode ser letal. Se houve culpado, que seja mútua culpa. Já estamos bem crescidinhos pra sabermos que o amor não se tem quando se quer.
Por maioria de votos, deixei o amor pra mais tarde."