Depois de cruzarmos os cem metros em... Anna Flávia Schmitt Wyse...

Depois de cruzarmos
os cem metros em direção
à Caverna do Amor,
render-me mansamente
aos seus predicados,
Permitindo que os meus
cabelos sejam trançados
pelas suas amáveis mãos,
Algo sempre me disse
que os caminhos
para nós já estavam traçados.


Contemplar a bela floração
da Orquídea da Virgem
com o coração em rendição
sob a aurora hondurenha;
Não tem nenhuma explicação
ainda de antever esta cena
com inexplicável clareza.


Reconhecer que este tempo
todo, em vez de conversar
com qualquer um,
estava sempre escrevendo
um novo poema,
Esperando que um dia
você aparecesse,
e por acaso não acontecesse,
assim permaneceria
até o destino assim permitisse.


[Sem saber quem é você,
percebo que estás presente,
embora não esteja fisicamente.]