O Aparente Fracasso do Homem Espiritual... Danyyel Elan

O Aparente Fracasso do Homem Espiritual


Por que me fizeste sentir tão fundo,
Se tudo o que toco se vai?
Carrego nos olhos o mundo,
Mas dentro… só há o jamais.


Fui verso jogado ao vazio,
Fui fogo querendo calor.
Fui rio pedindo abrigo,
Mas só recebi desamor.


Falei com o alto silêncio,
E ele me ouviu sem falar.
Toquei no tempo que escoa,
Mas ele não quis parar.


De que vale saber o caminho,
Se o passo me pesa demais?
De que vale ver o destino,
Se ele sangra em sinais?


Quis tanto amar sem medida,
Mas o peito virou prisão.
Hoje sou sombra ferida
De uma antiga canção.


E mesmo sangrando no escuro,
Há algo maior que o reverso.
Não estou só, nem perdido:
Eu habito no seio da Mãe do Universo.






Há um buraco no peito da humanidade.
Uma fome que não se sacia.
Uma sede que não é de água,
nem de pão,
nem de toque.


É um vazio estranho,
íntimo,
incômodo —
mas também familiar.


Tentamos preenchê-lo com coisas:
compras, conquistas, curtidas.
Enchemos de distrações,
de ruídos,
de excessos.


Mas quanto mais colocamos,
mais ele se abre.


Porque não é um vazio de falta...
É um vazio de excesso.
Excesso de mentiras.
Excesso de ausências.
Excesso de vida vivida pra fora,
pra parecer,
pra performar.


O vazio que nos habita
não se preenche com ter,
nem com ser alguém aos olhos do mundo.


Ele se aquieta quando lembramos…
que somos mais do que a casca.
Mais do que o nome, o cargo, o corpo.


Ele se rende
quando a gente para,
se escuta,
e deixa espaço
pra aquilo que não tem nome —
mas sempre esteve aqui.


E só atravessa…
quem tem coragem de não fugir mais de si.


É no centro desse vazio
que mora a porta.

Pra dentro.
Pra casa.


Pra Fonte.