PROPUS-ME Propus-me a ser quem sou, a... Israel Soler
PROPUS-ME
Propus-me a ser quem sou,
a andar de cabeça erguida
sem olhar o mundo ao redor.
Esse mundo balbucia perto de mim
e transforma cada passo
num fardo que não carregarei.
Não me atiro a esmo
num mundo que já cambaleia
na sua própria estrada.
Estou confinado no agora.
O futuro não me diz respeito.
Faço em mim morada
e sigo a estrada onde fui colocado.
Ando sem receio, sem bagagem.
Do hoje, levo só o que restou.
Talvez no meio do caminho
haja um novo despertar.
Observo o que vem
e me vejo espectador
das escolhas que fiz.
A vida anuncia início, meio e fim.
Ficar à espera do fim
só traz pressa inútil.
Então vou sem pressa.
Pressa para quê,
se morremos no presente
e quem nasce ainda sonha com o futuro?
Um ciclo que não acaba.
Um agora que poucos vivem.
Eu me acomodo no sofá
e me proponho a sonhar.
Deixo tudo como está.
Sou o contraponto
da vida, do mundo
e do eu que vive aqui.
