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Queres vir jantar 
à minha casa hoje?
Olha, traz o vinho 
e não te esqueças,
vem despida a rigor.

Entre mim e os meus caminhos, há sempre uma parede de silêncio.

Tu


Tu és o poema que não ouso escrever, mas que o meu coração declama-o em segredo.


Tu és o segredo do meu corpo 
quando ele pede mais.
Cada suspiro meu, tem a tua pele , 
cada gemido, a tua eternidade em mim.
Tu és o fogo que me devora 
e a calma que me consome depois.
Quando tu me prendes ao teu corpo, sou infinito.
Dentro de ti, descubro que o amor
 também sabe ser vulcão .
O teu calor envolve -me inteiro,
as tuas unhas riscam o meu desejo,
e dentro de ti, vagarosamente,
afundo-me cada vez mais fundo.
Não há palavra — só o choque,
o atrito, a explosão de nós dois,
quando o mundo se dissolve
no momento em que  
juntos  gememos um verso de fogo.

Nos caminhos, colhemos silêncios 
e os ecos das memórias.
Há caminhos que sabem mais que os teus próprios passos,
e caminhos que se abrem
somente para quem ousa sonhar.

A espiritualidade não exige templos, 
é a arte de habitar o agora,
a profundidade onde se
reconhece o mistério da vida.