Dentro das cúpulas de mentiras, o... Celso roberto nadilo
Dentro das cúpulas de mentiras, o político corrupto ganha notoriedade enquanto o meio ambiente se degrada. O fogo esmorece as ideias e as ideologias.
O bioma colapsa quando dragas e bombas transformam a vida em deserto. Os povos indígenas desaparecem e a terra, em um fenômeno devastadoramente realista, dificilmente voltará a ser verde e viva. O ser humano destrói a cada queimada, a cada pedaço da nossa imaginação, enquanto o calor sufocante reconfigura o mundo.
A terra emana ondas massivas, proporcionais à sua destruição. O calor, a falta de chuvas e a essência das tempestades extremas antecipam um futuro que temíamos ser distante: a visão devastadora do deserto e da seca prolongada.
Nuvens de poeira e tempestades de fogo tornam-se nossa realidade. Como no Havaí, o calor extremo resgata a memória da era vulcânica da pré-história. Vulcões no Japão ou nas Américas tornam-se evidências do cataclismo do efeito estufa, enquanto a maré vermelha e o degelo escancaram o desequilíbrio da natureza devastada.
Logo teremos mares mortos ou a superpopulação de pragas. Chuvas ácidas marcam o início de extinções isoladas. Na China, inúmeras inundações e tremores mostram que o desequilíbrio afeta o próprio planeta: a exploração desenfreada de aquíferos e poços artesianos fere o meio ambiente tanto quanto a extração do petróleo. A sobrecarga das grandes edificações, metrôs e superrodovias também contribui para essa destruição em massa.
O Rio Tietê já nasce poluído e carrega a morte até o mar — embora, ainda assim, a vida insista em resistir. No Rio Pinheiros, dragas tentam limpar as águas, mas o esforço parece enxugar gelo. Enquanto isso, em Paris, rios já passam por processos de despoluição, mostrando que o destino poderia ser outro.
A água potável torna-se cada vez mais escassa. Os animais somem. O país ganha os contornos das pirâmides do Saara, e as antigas planícies vertem para a aridez de um planeta esquecido.
