A Vida nas Cores que Escolhemos Enxergar... Peregrino Nino Carneiro
A Vida nas Cores que Escolhemos Enxergar
A vida nos mostra, pelo menos, duas cores: aquela que enxergamos através de nossas atitudes e emoções no dia a dia e aquela que os outros conseguem ver em nós. Na verdade, a vida tem as cores com que a pintamos. Nem sempre porque as escolhemos, mas, muitas vezes, porque é assim que a nossa alma consegue enxergá-las.
O peregrino-motorista tem o hábito de perguntar aos seus passageiros:
— Hoje, que cor você dá ao seu dia?
As respostas são as mais diversas. E, curiosamente, até mesmo as mais tristes acabam, por vezes, arrancando um sorriso:
— Estou só o pó da rabiola! — Tudo azul! — Hoje está tudo preto! — Céu de brigadeiro! — Está tudo claro! — Estou no vermelho! — Estou na lama! — Águas claras! — Hoje estou com todas as cores do arco-íris!
Cada resposta revela um estado de espírito. Afinal, todos nós, de alguma forma, carregamos uma paleta de cores dentro da alma. Existem dias em que tudo parece iluminado e outros em que as sombras insistem em ocupar mais espaço. Mas talvez seja justamente essa mistura de tons que torne cada história única.
Sabemos que depende muito de nós trazer o colorido de volta à nossa vida. Deus é como um grande arco-íris que nos oferece as cores, mas somos nós que, todos os dias, recebemos a oportunidade de pintar a nossa própria existência. Afinal, a vida é uma obra-prima em permanente construção, e cada atitude, cada escolha e cada sentimento deixa uma nova pincelada sobre a tela dos nossos dias.
A forma como enxergamos o mundo muda conforme nossas crenças, experiências e sentimentos. Às vezes, basta mudar o olhar para descobrir beleza até mesmo na simplicidade dos dias comuns. O peregrino escolhe, sempre que possível, os tons coloridos para a sua vida. Não porque desconheça os dias cinzentos, mas porque acredita que, mesmo depois da tempestade, sempre existe a possibilidade de surgir um novo arco-íris.
As cores são poéticas, reflexivas e carregadas de significados. Elas podem representar otimismo, coragem, esperança e o desejo de viver novas histórias. As cores da natureza, então, parecem possuir uma linguagem própria: o verde das matas acalma, o azul do céu inspira liberdade, o amarelo do sol aquece a alma e o vermelho das flores desperta sentimentos. E cada amanhecer nos oferece uma combinação de cores que nenhum artista conseguiria repetir exatamente da mesma maneira.
A natureza é generosa. Suas cores mexem com o nosso ânimo, com o bem-estar, com a esperança e com a alegria de continuar. Talvez por isso, quando estamos diante de uma montanha, de uma floresta, de um campo florido ou simplesmente observando o pôr do sol, sentimos que existe algo maior conversando silenciosamente com a nossa alma.
Um dos relatos mais conhecidos sobre as cores está na passagem do arco-íris de Noé, em Gênesis 9:13: O meu arco tenho posto nas nuvens; este será por sinal da aliança entre mim e a terra.”
Talvez seja por isso que o arco-íris sempre nos desperte algo especial. Ele surge justamente depois da chuva, como se a própria natureza quisesse nos lembrar de que nenhuma tempestade dura para sempre. Depois das nuvens escuras, o céu pode voltar a se abrir e, muitas vezes, é justamente depois dos períodos mais difíceis que conseguimos enxergar novas cores em nossa caminhada.
São por esses e tantos outros motivos que o peregrino acredita que a natureza é uma verdadeira escola de harmonia. Suas cores presenteiam a nossa vida a cada momento e nos ensinam, silenciosamente, que existe beleza nas diferenças. **Onde há cor, há vida.** A cor é uma fonte inesgotável de beleza, e não há como negar: um mundo sem cores seria muito mais pobre, assim como uma vida sem sonhos, esperança e sentimentos.
E, ao terminar uma corrida, o peregrino costuma desejar aos seus passageiros:
— Que o seu dia tenha pelo menos uma das cores da natureza. E, se possível, que você encontre um arco-íris, mesmo que seja apenas dentro de você. Afinal, todas essas cores foram presentes de Deus.
Porque, no fim das contas, talvez viver seja exatamente isso: aprender a enxergar cores mesmo nos dias em que o mundo insiste em parecer cinza. E, quando não encontrarmos nenhuma cor ao nosso redor, que nunca nos falte coragem para buscar, dentro de nós mesmos, a tinta necessária para continuar pintando a vida.
Peregrino Nino Carneiro
