As Aves Que Aqui Cantam O verde rompe o... Samuel Ranner
As Aves Que Aqui Cantam
O verde rompe o asfalto com firmeza,
um sopro de aragem na urgência do dia,
onde o concreto ergue sua frieza
e a vida pulsa em pura sinfonia.
Não há muro alto que cative o vento,
nem torre fria que anule o seu cantar;
o tempo avança em cada movimento,
lembrando a alma o dom de respirar.
As aves que aqui cantam na cidade
são as mesmas que cantam em todo lugar;
até no cemitério cantam a vida é passageira,
e o peito vibra ao ver o sol raiar.
Recordam o pó, mas cantam a aurora,
o instante breve, o sopro que é eterno,
a ânsia pura de viver agora
antes que chegue o silêncio do inverno.
Vagar pelas ruas é buscar o sentido
no voo ligeiro que cruza o azul,
entre o grito urbano e o peito ferido
que busca o norte, o leste, o sul.
Ser ave e ser homem é cruzar o abismo,
é ser faísca acesa na escuridão,
encontrar no trânsito o lirismo
e a paz profunda dentro do coração.
