​Nas profundezas da consciência,... Celso roberto nadilo

​Nas profundezas da consciência, criamos.
​Criar objetivos claros dentro de uma realidade ambígua só acontece quando nos focalizamos: mesmo por uma fração de instante, avançamos pelo universo de maneiras distintas — pois somos o próprio universo se observando. Abrimo-nos como flores do conhecimento, uma reminiscência evolutiva no estado primordial da criação.
​Nesse relacionamento expandido com a matéria, a conexão se alastra como se não houvesse o amanhã — afinal, o amanhã ainda não foi criado em sua plenitude. No foco de um milésimo de segundo, ouve-se o amanhecer: as ideias florescem no ardor da escuridão e, diante da batalha dos sonhos vividos, abraçamos a eternidade.
​Nem mesmo o tempo, dilacerado por cada sopro de vida rara no universo, soa tão familiar quanto a guerra que travamos dentro de nossas próprias mentes. Chegar a mais um anoitecer seria mero ego da simplicidade. O egocentrismo, em seu centrismo absoluto, estabelece uma ordem mesmo na falha caótica da corrupção — um negacionismo que acende a fogueira alucinada dos nossos algozes.
​Dentro da faísca da vida, tão pequena e ainda assim impregnada de resiliência, o querer se manifesta de formas inexplicáveis e inevitáveis. O desejar dissolve a estagnação de tal modo que o tempo se torna um brinquedo diante da nossa magnitude. A ideia se espalha em pequenas partes até se tornar massiva e dominante. Como o véu de uma noiva sobre a cidade, suas réstias tornam-se mortalhas na escuridão eterna: a interrogação que fica e a solução que abraçamos diante da percepção. Dependendo do arco de luz, o tempo e o espaço se curvam à gravidade.
​O mar, sob essa mesma gravidade, se transforma pelas facetas dos astros que iluminam a noite e o dia. Calamo-nos no silêncio da noite; abraçamo-nos ao dia. Nada se revela fácil diante do microcosmo. Somos poeira que se arrastou nos rastros de um cometa — o astro errante que trouxe a vida e a sua destruição.
​Um renascentista diria que a luz capturada pelo raio vindo dos céus são os deuses, finalmente, iluminando as nossas vidas.
​Tudo parte de um destino quando não há gravidade; e o destino dita o fim diante do preceito do ego rumo ao precipício. Será mesmo o fim ou um novo começo? Pois o medo nos faz reféns de nossas próprias realizações. Nas hordas de onde emanam ares fortes, o início foi um sonho e alcançamos o ponto da glória. Percorro, então, os pensamentos e fragmentos esquecidos pelo tempo — ciente de que a mesma faísca de vida será creditada pela vitória, enquanto os ossos rangem diante do tempo implacável.
​— Por Celso Roberto Nadilo