Você virou a minha poesia sem... Nadja Silva
Você virou a minha poesia sem escrúpulos...
É uma degustação por palavras construindo cada frase e oração.
Uma maldição exemplar fora da conduta.
Só porque teus olhos me perpetuaram à uma paixão metafísica.
Eu deveria lhe arrancar da mente só porque você docemente me violenta.
Eu poderia lhe rasgar as roupas enquanto farejo o teu cheiro exalando o aroma da virilidade.
Talvez...
É que, por mais que eu me esforce, você ficou gravado em mim.
Eu não consigo mais negar para mim mesma essa vontade que insiste em me visitar.
O meu corpo não mente.
O alto desejo me afronta.
A lucidez me confronta.
Você é a minha maior guerra interna.
E ao mesmo tempo é tão pacífico e inexistente.
Você se cala, se ausenta e se anula e então você me ganha pelo êxtase.
E a gente brinca como dois animais selvagens em nossa forma bondosa de canibalismo.
Eu me entrego em minha recusa enquanto você me lubrifica.
Eu ti recuso mas não ti ignoro.
Você manda e eu obedeço.
Meu corpo ti pede e eu aceito e cedo.
E, quando eu dou por mim, desde sempre foi assim.
O sangue corre quente nas veias enquanto eu me desaguo nessa agressão levemente provocativa.
A lógica dos sentidos se perde junto aos sussurros e aos gemidos.
O melhor de tudo e esse teu jeito cortês sem intuito de me agredir.
Mas é nessa hora que eu apanho simplesmente por pensar em qualquer coisa que me faça lembrar de você.
Eu tenho que admitir, ah, garoto, querer você é gostoso demais.
Você sabota os tons da minha aquarela no meu mundo multicor enquanto faz vibrar os tons dos meus acordes na sequência de tom maior.
