Asas da Liberdade Quero ser uma gaivota... Rita Padoin

Asas da Liberdade


Quero ser uma gaivota com plumagem prateada. Planar nesta imensidão, fazer acrobacias e abraçar o mundo com minhas asas. Ir ao encontro da liberdade que espera, ansiosa, por minha chegada.


Alçar o voo mais rasante e incrível que jamais alguém poderia imaginar. Bater as asas sem me importar com o cansaço. Gritar sabendo que alguém me ouviria – e que meu grito soaria como música aos ouvidos de quem me acompanha.


Pousar nas mais infinitas ilhas oceânicas. Dançar ao som do vento e deixar-me levar pela brisa.


Ter o privilégio de contemplar as mais belas paisagens, os desenhos maravilhosos traçados pelas mãos do Senhor do universo – e ainda assim duvidar que tamanha beleza pudesse ter sido projetada.


Voar, voar, voar, e jamais cansar de sobrevoar os mares, ilhas e planícies. Das alturas, veria embarcações deslizando pelos oceanos, seguindo sua rota enquanto o sol desponta assim que a madrugada se despede com um aceno afetuoso.


Ser observada sob olhares investigativos de quem gostaria de estar no meu lugar sobrevoando o céu infinitamente azul. Sentir as nuvens tão próximas quanto o meu próprio coração, que bate acelerado dentro do peito.


Elevar, elevar, declinar; sentir o brilho do farol iluminando a orla; respirar o cheiro da maresia; ouvir o mar batendo nas pedras; admirar o brilho da noite estrelada e a lua com sua magia.


E quando o dia findar, e o sol se pôr deixando o seu rastro dourado, o cenário do entardecer aclamará em coro os suspiros de todos os que o contemplam.


Continuarei voando, voando, voando, até que minhas asas não aguentem mais. Então, pousarei para meu eterno descanso nas ilhas do pacífico.


Rita Padoin
Do Livro "As Musas do Vale"