Quantos Sonos eu deixei de dormir com... Alessandro Teodoro

Quantos Sonos eu deixei de dormir com medo do Sono Profundo me abraçar e alguém Precisar de mim?
Há pessoas que passam a vida em estado de vigília.
Não necessariamente só porque sofram de insônia, mas porque carregam a estranha sensação de que descansar é um luxo muito perigoso.
Vivem acreditando que, se baixarem a guarda por alguns instantes, algo dará errado, alguém chamará por socorro ou uma responsabilidade inesperada baterá à porta.
É curioso como o Amor, o Dever e o Medo podem vestir a mesma roupa.
Quem ama, cuida.
Quem é responsável se faz presente.
Mas, quando o medo de falhar se torna maior do que a necessidade de repousar, o cuidado deixa de ser virtude e passa a ser prisão.
O Sono Profundo simboliza muito mais do que o descanso do corpo.
Ele representa a confiança de que o mundo continuará girando mesmo sem o nosso controle.
Dormir é um ato silencioso de entrega.
É reconhecer que nem tudo depende de nós e que há batalhas que precisam esperar, sim, pelo amanhecer.
Quantas noites foram roubadas por preocupações que jamais se concretizaram?!?
Quantas madrugadas foram preenchidas por cenários imaginários, enquanto a vida seguia seu curso sem exigir a nossa vigilância permanente?
Talvez a maturidade também consista em aprender que estar disponível não significa estar esgotado.
Quem nunca descansa acaba oferecendo aos outros apenas os restos da própria força, da própria existência.
E ninguém sustenta uma luz acesa para sempre sem, um dia, ver a chama enfraquecer.
Permita-se dormir em paz.
Se alguém realmente precisar de você, que o encontre inteiro, renovado e capaz de estender a mão com serenidade.
Porque há um Tempo para Velar, mas também há um Tempo Sagrado para fechar os olhos, confiar e simplesmente Descansar.
