​O Vermelho da Mente e a Simulação... Celso roberto nadilo

​O Vermelho da Mente e a Simulação do Tempo
​por Celso Roberto Nadilo
​O vermelho só é vermelho porque a natureza assim determina — ele habita dentro da nossa mente. Somos construídos pela memória de cores, sons e cheiros. Em uma onda transdimensional, vemos colidir os conceitos da filosofia e da física.
​Ao obliterarmos as cores assimiladas, deparamos-nos com o niilismo das almas aniquiladas; falanges momentâneas de objeções e questões que dão partido a novas crônicas. A cada renovação, concedemos livre-arbítrio às informações extraídas das profundezas do nosso ser. Seres animados obliteram o próprio paradoxo existencial, relutando em aceitar que o tempo é apenas a distorção de cores primordiais dentro do nosso cérebro.
​O tik-tok constante parece um mantra diante do qual deformamos as premissas da realidade. Observando o tempo transitar pelo espaço, tomamos esse fluxo como nosso — o próprio epígrafe da humanidade. É um voo consciente de energia em movimento, até que a inércia se torne a desenvoltura do tempo que já passou, cumprindo o percurso de uma vida programada até o seu epílogo. Mesmo assim, continuamos a deduzir a morte como um estado no qual abraçamos as estrelas ou contemplamos um mundo sobrenatural. O tempo transformou em memórias eternas os resquícios de uma existência que, tantas vezes, foi apenas pó voltando ao pó da escuridão.
​Vemos o verde em uma sintonia de fantasia: enquanto os fantasmas deslizam pelos arcos do destino, enxergamos o verde das florestas, o verde-abacate, o verde do burro que foge. Então, recebemos a visita do branco — a pureza de uma noiva ou o branco cego da raiva, que por viver no sujo logo desbota. Torna-se amarelo, quase o marrom do barro onde o cão vira-lata pula e marca suas patas. As chamas da vivência transformam-se na evidência oca de uma natureza devastada. O verde volta a ser o mesmo pó de que somos feitos.
​Essa dinâmica eleva o formato da consciência. Mesmo na alienação intelectual, nos tornamos rebeldes sem resiliência, pois o bot humano é um enigma. Dentro das sensações, negociamos nossas escolhas. Para uma startup, o cenário mundial se deforma ao passar das horas; as metáforas do capitalismo atrelam-se novamente aos conceitos de liberdade e igualdade. Acreditamos ser grandes e melhores porque carregamos o vento e o glamour de ser críticos — de ostentar uma identidade diante dos algoritmos. Vemos a projeção de códigos alinhados ao tempo e ao espaço. Das cores primárias fazemos o partido do pensamento, tornado fluxo abrangente da nossa era.
​Os conceitos espaciais básicos tornaram-se meros modelos da indiferença social. Olhamos para o lançamento de um foguete e vibramos quando ele pousa; com outros olhos, vejo apenas ostentação e ganância desmedida. Ao mesmo tempo, enxergo a verdade da exploração espacial: evoluímos ou abraçamos as asas da eternidade diante de inovações científicas. Mas o que realmente muda em nossas mentes? Apenas um intervalo para distrair o espírito antes de retornar ao trabalho duro. A vida revela-se uma série de absurdos embalados por ironias.
​De repente, percebo a composição da alienação: a assimilação da simulação é apenas a equivalência do espírito humano. O mundo pode ser cinza, mas na variação temporal enxergamos realidades paralelas. Vemos projeções em código nas elipses da continuidade enquanto devoramos a nós mesmos. Nós, vassalos do tempo, resgatamos a virtude da esperança através do livre-arbítrio, mesmo imersos na alienação.
​E ela floresce no exato e irônico momento em que sonhamos acordados — quando a mente acolhe a escuridão das lembranças e o silêncio cruel diante das lágrimas da alma.