À porta do templo de madeira e pedra, O... Ademir Missias

À porta do templo de madeira e pedra,
O Guarda se posta com firme herança,
Mas a grande lição que o rito encerra
É a eterna vigília da consciência.

Trancamos as portas de nossas moradas,
Cuidamos dos bens com todo o rigor,
Mas deixamos as mentes escancaradas
Ao vento do caos e ao falso clamor.

A espada em riste não busca o corte,
Não fere a carne, não gera a dor;
Ela é o discernimento forte,
A lâmina clara do examinador.

Separa o vício da reta virtude,
A pura verdade da vã ilusão,
Pedindo que a alma filtre e estude
O que se aceita no coração.

Em tempos de vozes que tudo derramam,
O silêncio opera como proteção;
Nem todas as fotos ou brigas que chamam
Merecem o gasto da nossa atenção.

O maior segredo que a vida emana
Não pede avental, nem templo suntuoso:
É ser o vigia da mente humana,
O Guarda do próprio coração bondoso.