Uma noite, uma mulher me chamou de... Flavio Silva
Uma noite, uma mulher me chamou de extraordinário.
Olhou dentro dos meus olhos como se tivesse encontrado alguma espécie rara de animal.
Sorri.
Não por vaidade.
Por pena.
Ela não fazia ideia de que dizia a mesma frase para meia dúzia de homens toda semana.
As pessoas distribuem palavras como garçons distribuem guardanapos.
Sem perceber.
Sem importância.
Mas sempre existe um idiota disposto a guardar aquele pedaço de papel como se fosse uma carta de amor.
