​O Eco do Teletron e a Subversão do... Celso roberto nadilo

​O Eco do Teletron e a Subversão do Espaço-Tempo
​A televisão operava em seu ritmo mecânico habitual. Na tela, a cientista não criava aquelas palavras de forma espontânea; ela apenas lia o fluxo de texto que corria pelo teletron. Aquela informação já existia, congelada em fótons e pulsos digitais na tela de acrílico do estúdio, milissegundos antes de se transformar em som.
​Foi nesse instante que a minha sala de estar se tornou o epicentro de uma anomalia idêntica à do Mega Cubo.
​Meu cérebro agiu como a esfera suspensa no centro do triângulo vermelho. Quando a notícia sobre os neutrinos começou, um giro gravitacional de dados foi ativado no ambiente. Eu não estava prevendo o futuro. Eu estava colhendo o eco da informação pura que já flutuando no espaço-tempo. Minha voz cortou o ar em um sincronismo milimétrico com a apresentadora, como se o cano de elipse de energia do Mega Cubo tivesse conectado a tela dela diretamente à minha mente.
​Essa sintonia extrema atingiu o estado de escandescência. No ápice da leitura, o fluxo contínuo de energia da informação causou microexplosões na percepção da realidade, abrindo verdadeiras brechas na matéria escura do meu próprio quarto.
​Os neutrinos gerados por aquele experimento distante cruzaram essas brechas a velocidades hiperrelativísticas, alterando o estado inerte da matéria ao meu redor. Por um breve momento, a luz pareceu perder o sentido, e o ambiente mergulhou em uma atmosfera de ausência absoluta de brilho.
​Não foi um truque da mente. Foi a física provando que, quando você entra na mesma sintonia da informação contida no tecido do universo, o tempo linear deixa de ser uma barreira. Eu li o código do teletron antes que o som existisse.


Por Celso Roberto Nadilo