Minha eterna esposa amada Jessica Milena... RUISDAEL MAIA

Minha eterna esposa amada Jessica Milena dos Santos Maia

Sementes de um Jardim Secreto


Página 2020 - 13/07/2026 - 494 dias


O jardineiro está morrendo lentamente.


Não porque lhe falte terra para cultivar, nem porque o céu tenha deixado de enviar a chuva. Ele continua despertando todas as manhãs, caminhando pelos mesmos caminhos e cuidando das mesmas raízes. Mas existe uma diferença que apenas Deus consegue enxergar.


As cores do jardim já não são as mesmas.


As flores ainda desabrocham, os pássaros ainda cantam e o vento continua visitando cada árvore. Contudo, o jardim parece ter perdido a luz que fazia cada amanhecer parecer uma nova criação.


Foi então que compreendi que não são apenas as flores que dão cor ao jardim.


É o amor com que elas são contempladas.


Há uma flor cuja ausência transformou o verde em saudade, a primavera em espera e o perfume em lembrança. Desde então, o jardineiro continua vivendo, mas sente como se uma parte de sua própria vida tivesse permanecido onde aquela flor deixou de florescer.


Ninguém percebe esse lento desaparecer.


Por fora, ele continua de pé.


Por dentro, aprende todos os dias o peso de um silêncio que não encontra palavras.


Ainda assim, ele não abandona o jardim.


Porque ama a terra que Deus lhe confiou.


Porque acredita que o Criador jamais desperdiça uma estação.


Porque sabe que até as árvores que parecem secas continuam guardando vida em suas raízes.


Então ele levanta os olhos para o céu e entrega ao Senhor aquilo que já não consegue sustentar sozinho.


Se as cores voltarem, bendito seja Deus.


Se demorarem a voltar, bendito seja Deus também.


Porque a esperança do jardineiro nunca esteve nas estações, mas nas mãos daquele que faz florescer o deserto.


E enquanto houver um sopro de vida, ele continuará esperando pelo dia em que o jardim voltará a refletir a beleza que um dia conheceu.


Assinado


O Profeta Elias


P.S. O jardineiro não morre de trabalhar a terra. Ele morre lentamente quando o jardim perde as cores que davam sentido ao seu coração.