O Espetáculo dos Descartáveis Por... Celso roberto nadilo

O Espetáculo dos Descartáveis


Por Celso Roberto Nadilo


​Somos o que pensamos ser. Mas, quando finalmente o somos, descobrimos que nossa essência não importa para o sistema: se não servimos à engrenagem, somos simplesmente descartados.
​Na ópera da vida, fomos reduzidos a servos. Observamos, maravilhados, os protagonistas no palco e pedimos mais uma apresentação. Esquecemos que os espectadores são apenas audiência; números estáticos que sustentam o status alheio.
​Nas estrelas dilaceradas de nossas almas, buscamos algum sentido para a existência enquanto tentamos, puramente, sobreviver. Olhamos para o infinito dos céus, mas a única certeza que temos é a de que o dia começará cedo: o ônibus cheio, a rotina esmagadora e o salário contado, centavo por centavo, apenas para pagar as contas.
​Onde está a liberdade do livre-arbítrio? O propósito morre a cada anoitecer. Promessas e valores éticos são expostos como mercadorias baratas, enquanto o meio ambiente sofre, sufocado e restrito em sua própria existência.
​Um dia, ouvi um desses burgueses dizer que a mata só serve para pegar fogo, e questionar qual seria a "serventia" do indígena para a sociedade. Calei-me. Olhei para ele e decidi que não merecia comentários, nem a resposta à altura da sua baixeza. Ignorar o ignorante é o ato mais sábio.
​O fundamentalismo se alimenta da crença no absurdo, moldando o que é pelo que finge ser. Assim, o sistema vai mantendo o corpo vivo, mas o espírito sem alma. É o grande paradoxo do nosso tempo: à medida que perdemos nossos traços de humanidade, a inteligência artificial se torna cada vez mais humana.