Soluçam-me aves no peito. Pranteia,... Célia Moura
Soluçam-me aves no peito.
Pranteia, Venezuela, pranteia!
Que até os rios aprenderam
a transportar o pranto
sem o devolver ao mar.
Há em ti raízes
que ninguém vê,
mas que fazem sangrar gerações.
Há em ti dias
em que a esperança
esquece o caminho do voo.
Soluçam-me aves no peito,
o mundo passa ao largo,
e a paz,
sem casa,
chora dentro das próprias asas.
Grita, Venezuela, grita,
porque só o grito —
esse órfão antigo —
acompanha quem ficou
sem chão de Mãe.
Célia Moura, Julho de 2026
