Claudiane, Nesta manhã de julho,... Airon t pontes

Claudiane,


Nesta manhã de julho, Pariquera acordou coberta de neblina.
O morro sumiu, a estrada ficou baixa, o mundo inteiro virou um sussurro branco.


E mesmo assim, você.


Mesmo na neblina eu te enxergo,
não pelo contorno, mas pelo que fica.
Claudiane, teu nome pousa calmo no nevoeiro,
e onde os outros se perdem, eu te reconheço.


Vejo teu caráter antes de ver teu rosto,
firme como a terra que a bruma não apaga,
doce como o orvalho que ela deixa.
Tua bondade não precisa de sol para brilhar,
ela atravessa o cinza da manhã e me encontra.


Se a neblina esconde tudo lá fora,
em você eu encontro o que é nítido:
um coração honesto, uma alma clara,
uma luz mansa que não se confunde.


Que o dia levante e leve a névoa,
mas que fique em mim o que eu já vi em você,
mesmo encoberta, inteira.