O lamento do céu inatingível Mais uma... Jenifer
O lamento do céu inatingível
Mais uma manhã, ela se vai, sem ao menos se despedir de mim.
O peito dói, aperta como se a própria alma fosse arrancada.
Minha amada parte ao primeiro raio de sol, deixando-me sozinho com o vazio da sua ausência.
Ainda assim, amo-a mais a cada dia que passa.
Seu mundo desperta quando a noite cai, quando a lua ascende ao firmamento e o sol repousa em seu leito de luz.
Eu, mortal insignificante, moldei meu tempo aos seus passos celestes apenas para contemplá-la.
Ela dança junto à lua com tamanha harmonia que o ciúme me devora.
Ó deuses — Oxalá, Odin, Tupã ou qualquer outro que ouça este lamento —, por que não a trazem para mim?
Ou, então, permitam-me tocar o firmamento onde ela habita!
Neste universo imenso, ela é a única que ilumina minha escuridão.
Sentado na relva fria da noite serena, fito-a com olhos de súplica e conto-lhe tudo. Revelo meus sonhos, meus medos, cada desejo enterrado no âmago do meu ser.
Ela nunca responde, mas sinto que me escuta, silenciosa e etérea.
Garanto, não há outro amor no mundo que se iguale ao meu.
Nenhuma paixão poderá rivalizar com esta devoção impossível.
E quando o dia nasce mais uma vez, levando a noite consigo, minha amada desaparece no horizonte, sem deixar rastros, apenas saudade — e um coração que jamais será o mesmo.
