O PARADOXO DO ALFA E DO ÔMEGA. Autor:... Marcelo Caetano Monteiro

O PARADOXO DO ALFA E DO ÔMEGA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
A expressão "Eu sou o Alfa e o Ômega", encontrada no Apocalipse, é uma das mais profundas declarações atribuídas ao Cristo. Alfa é a primeira letra do alfabeto grego; Ômega, a última. Em linguagem simples, significa: "Eu sou o princípio e o fim".
Entretanto, essa afirmação provoca uma questão que atravessa os séculos:
Como algo pode ser simultaneamente o começo e o fim?
Aparentemente, trata-se de um paradoxo. Contudo, toda grande verdade parece paradoxal quando observada a partir dos limites da inteligência humana. O problema não está na realidade divina, mas na forma como nossa mente interpreta a realidade.
Pensamos em linhas retas.
A eternidade manifesta-se em círculos.
Pensamos em sucessão.
A eternidade vive em simultaneidade.
Pensamos em nascimento e morte.
A vida espiritual conhece apenas transformações.
O paradoxo do Alfa e do Ômega é, na verdade, o encontro entre a visão humana e a visão divina.
O TEMPO E A ETERNIDADE.
Vivemos presos à sucessão dos acontecimentos.
Ontem já passou.
Hoje está acontecendo.
Amanhã ainda não chegou.
Nossa existência psicológica está estruturada sobre essa percepção do tempo.
Por isso acreditamos que tudo possui um início absoluto e um término definitivo.
Mas Deus não está submetido ao tempo.
Segundo O Livro dos Espíritos, questão 1, Deus é:
"A inteligência suprema, causa primária de todas as coisas."
Deus é! Deus não envelhece, não muda e não atravessa etapas. O passado, o presente e o futuro são conceitos humanos.
O tempo é a linguagem da criatura.
A eternidade é a linguagem do Criador.
Quando quando é atribuído ao Cristo se apresentar como Alfa e Ômega, podemos compreender que Ele simboliza a presença da Lei Divina em toda a extensão da vida, desde as origens mais remotas até os destinos mais elevados da evolução espiritual.
O PARADOXO DA ALMA HUMANA.
Existe um Alfa e um Ômega dentro de cada ser humano.
Nascemos simples e ignorantes.
Não nascemos maus.
Não nascemos condenados.
Não nascemos prontos.
Somos Espíritos em construção.
Cada experiência, cada dor, cada alegria e cada recomeço acrescenta algo à obra que Deus realiza em nós.
Entretanto, aqui surge uma das maiores descobertas da Doutrina Espírita:
O ponto de chegada não destrói o ponto de partida.
Ele o revela.
A criança não desaparece no adulto.
Ela continua existindo como memória e evolução, aprendizado e fundamento.
Da mesma forma, o Espírito puro não elimina sua história; transforma-a em sabedoria.
Aquilo que somos hoje contém, em estado latente, aquilo que seremos amanhã.
O Alfa contém o Ômega em germe.
O Ômega manifesta aquilo que o Alfa prometia.
O PARADOXO DO SOFRIMENTO DO DIA A DIA.
Sob o olhar limitado da existência terrestre, muitas vezes julgamos estar diante de fins definitivos.
O fim de um relacionamento.
O fim de um sonho.
O fim da juventude.
O fim da saúde.
O fim da vida física.
Mas a experiência espiritual ensina outra coisa.
Muitas vezes, aquilo que chamamos de fim é apenas uma passagem.
O sofrimento possui uma característica curiosa: ele fecha portas que julgávamos indispensáveis e abre janelas que jamais havíamos percebido.
Quantas vezes uma perda revelou uma força desconhecida?
Quantas vezes uma queda despertou uma consciência adormecida?
Quantas vezes a noite preparou o amanhecer?
Sob essa perspectiva, o Alfa e o Ômega tornam-se uma mensagem de esperança.
Nada termina verdadeiramente.
Tudo se transforma.
Tudo se renova.
Tudo prossegue.
A VISÃO PSICOLÓGICA DA EVOLUÇÃO.
Grande parte da angústia humana nasce do medo dos finais.
Tememos envelhecer.
Tememos perder.
Tememos mudar.
Tememos morrer.
No entanto, o medo surge porque enxergamos apenas o que está sendo deixado para trás.
A sabedoria consiste em perceber aquilo que está nascendo.
Cada encerramento contém um nascimento invisível.
Cada despedida prepara um encontro.
Cada experiência concluída inaugura outra.
A própria reencarnação é uma demonstração dessa lei.
A morte do corpo não representa a extinção da vida.
Representa apenas uma mudança de cenário.
O Espírito prossegue levando consigo os tesouros morais conquistados.
Nada do bem realizado se perde.
Nada do amor vivido desaparece.
Nada da experiência adquirida é desperdiçado.
A VISÃO DE ALLAN KARDEC.
Nas obras da Codificação encontramos uma das mais belas concepções filosóficas da existência: a Lei do Progresso.
Tudo evolui.
Tudo se aperfeiçoa.
Tudo caminha para destinos mais elevados.
Em O Livro dos Espíritos (questões 115 e seguintes), aprendemos que os Espíritos foram criados simples e ignorantes para conquistarem, por mérito próprio, a perfeição relativa que lhes está destinada.
Essa ideia transforma completamente nossa visão da vida.
Não somos criaturas abandonadas ao acaso.
Somos viajores da eternidade.
Cada existência é uma página.
Cada encarnação é uma lição.
Cada desafio é uma oportunidade de crescimento.
O universo não é um mecanismo sem propósito.
É uma escola divina.
O CRISTO COMO CAMINHO COMPLETO.
Sob a ótica espírita, Jesus não é Deus, mas o modelo mais perfeito oferecido à humanidade, conforme a questão 625 de O Livro dos Espíritos.
Por isso, sua declaração adquire um significado ainda mais profundo.
O Cristo representa o caminho completo da evolução moral.
Nele contemplamos o início e o destino.
A simplicidade e a sabedoria.
A humildade e a grandeza.
O homem e o Espírito.
Ao olhar para Jesus, a humanidade contempla aquilo que é e aquilo que pode vir a ser.
REFLEXÃO.
O verdadeiro paradoxo do Alfa e do Ômega não está em Deus.
Não está no Cristo.
Não está na eternidade.
Está em nossa dificuldade de compreender que a vida não termina onde nossos olhos deixam de enxergar.
Para a visão material, tudo parece fragmentado.
Para a visão espiritual, tudo está ligado.
O que chamamos de morte é continuidade.
O que chamamos de perda é transformação.
O que chamamos de fim é apenas mudança de estado.
À medida que o Espírito amadurece, descobre que a existência não é uma linha reta perdida no vazio, mas uma jornada ascendente sustentada pelo amor e pela sabedoria divina.
Então o Alfa e o Ômega deixam de ser um enigma.
Transformam-se numa revelação.
A revelação de que nenhum esforço é inútil.
Nenhuma lágrima é esquecida.
Nenhum aprendizado é perdido.
E nenhuma alma está destinada ao fracasso.
Porque, nas Leis de Deus, todo fim é apenas o começo de uma realidade maior.
Fontes:
O Livro dos Espíritos — Questões 1, 78, 115, 540 e 625.
A Gênese — Capítulos II e VI.
O Evangelho Segundo o Espiritismo — Capítulo I.
Apocalipse — 1:8, 21:6 e 22:13.
#AlfaEOmega #Espiritismo #AllanKardec #JesusCristo #FilosofiaEspírita #PsicologiaEspiritual #ConsoloEspiritual #ImortalidadeDaAlma #VidaEspiritual #EvoluçãoEspiritual #Eternidade #LeiDoProgresso #Autoconhecimento #ReflexãoEspiritual #VidaApósAMorte #Reencarnação #Esperança #SabedoriaEspiritual #DoutrinaEspírita #ExistênciaHumana #Consolo #FéRaciocinada #EstudoEspírita #JornadaDaAlma #PerfeiçãoEspiritual