Âncora e Verso Foste âncora para no... Emanuel Bruno Andrade
Âncora e Verso
Foste âncora para no porto ancorar
Na hombridade que sinto
Vejo um alívio
Para me poder desamarrar
Da correria do tempo
Oiço o vento soprar
Escuto gestos humildes e simples
Num puro amor
Quase ninguém escuta a minha dor
Ou vê as minhas vertentes
A plainar num sonho de ser um senhor
Sonho acordado para saborear o viver
Quero ter, quero crer e quero ser
Mesmo sendo um orador
Um poeta e pintor
Pinto com a minha alma a cor
Do pensamento de um escritor
Passo e faço um pacto com Orfeu
Fazendo a emoção
Sair com grande tensão
Razão de me ver na caverna de Platão
Numa ilusão desmedida que me dá vida.
Nela me deito e semeio
Para transformar a minha força
Em fruto.
Lisboa, 23 de julho de 2026
Emanuel Andrade
