A trilha Na noite mais fria que a... Alex Zanute
A trilha
Na noite mais fria que a montanha já contou,
uma mãe e seu filho seguiam o mesmo amor.
O vento cortava a pele, a alma e o coração,
mas havia um calor maior guiando cada direção.
A barraca era pequena diante da imensidão,
e o frio roubou o sono, mas não a emoção.
As estrelas testemunhavam, em silêncio e luz,
o amor mais puro da Terra seguindo sua cruz.
Às três da manhã, quando o mundo ainda dormia,
levantaram-se juntos, abraçados pela coragem que existia.
E cada passo na pedra, cada respiração no ar,
era uma declaração de quem escolheu não parar.
Subiram.
E a montanha os recebeu.
Não como visitantes,
mas como quem reconhece quem venceu.
Lá no alto, entre nuvens e o infinito azul,
o frio era intenso, mas o amor era mais sutil.
Daqueles que não fazem barulho nem precisam aparecer,
porque nasceram para permanecer.
Então veio a descida.
E com ela, o amanhecer.
O sol surgiu devagar, como quem tem medo de interromper
aquele encontro tão raro entre o tempo e o sentir.
A luz dourada tocou seus rostos cansados,
e o mundo inteiro pareceu ficar ajoelhado.
Pararam.
Um café quente fumegava entre as mãos.
E naquele instante tão simples, tão pequeno,
cabia uma eternidade de emoções.
A mãe tomou um gole.
Depois outro.
E pediu mais um.
Porque algumas felicidades são bonitas demais
para terminarem no primeiro gole.
O filho estava ali.
O sol estava ali.
A montanha estava ali.
E Deus também.
Guardando em silêncio aquele instante perfeito.
Anos passarão…
As trilhas mudarão.
As pegadas desaparecerão da terra.
Mas jamais do coração.
Porque o que ficou daquele dia
não foi apenas o topo alcançado.
Foi o amor caminhando lado a lado.
Foi o frio que virou lembrança.
Foi a luz vencendo a escuridão.
Foi uma mãe olhando para o filho
e agradecendo, em silêncio, pela bênção daquela companhia.
E foi aquele segundo café…
Que tinha gosto de amanhecer.
Gosto de conquista.
Gosto de saudade antes mesmo de acabar.
Mas, acima de tudo,
gosto de amor.
Daquele amor raro,
que não precisa de palavras,
porque aprendeu a ser eterno.
