Trilha sonora da minha vida 1983 Sou da... Ana Gelma N.L
Trilha sonora da minha vida 1983
Sou da geração 14 de setembro de 1983.
Cresci numa época que a música não era apenas som, era companhia, abrigo e memória. As canções tocavam no rádio, nas fitas, nos CDs, e sem perceber, virava parte de quem eu sou.
Cresci ouvindo versos que atravessaram o tempo, melodias que ainda hoje moram no peito como quem nunca foi embora.
Tive a poesia dos Engenheiros do Hawaii, os questionamentos da Banda Legião Urbana, a força do Capital Inicial e a verdade urbana do Charlie Brown Jr.
Tenho e sinto vontade de me expressar sobre o que aprendi sobre sentimentos com Ana Carolina, coragem com Pitty, leveza com Djavan, profundidade com Caetano Veloso, doçura com Vanessa da Mata, esperança com Milton Nascimento e raízes com Chitãozinho & Xororó dentre tantos outros...
As palavras de encontros amorosos, poesias sobre amor do Roberto Carlos, cantei também amores com Marisa Monte e Nando Reis, me emocionei com a voz de Elis Regina, me encantei com a grandeza de Gal Costa e dancei ao som de Jota Quest.
Entre versos intensos de Cazuza e a irreverência de Rita Lee, aprendi que viver é também desafiar o mundo.
Chorei com a alma de Cássia Eller, sorri com Claudinho & Bochecha, refletir com Gabriel O Pensador e celebrei a vida ao som do samba.
Porque teve Arlindo Cruz, teve Zeca Pagodinho, teve Alcione com sua voz gigante e tantos outros extraordinários que fizeram da música uma herança afetiva na minha vida.
Sou da geração que esperava a música tocar no rádio, que decorava letras sem internet que rebobinava fitas e colecionava emoções, ouvia algumas músicas que minha mãe e meus irmãos colocavam em casa quando eu ainda era uma criança e na minha adolescência pude selecionar as que eu mais me identificava.
E quando a memória afetiva me embala ou a saudade bate, eu entendo que não é apenas nostalgia. É gratidão!
Gratidão porque algumas músicas não envelhecem. Elas crescem com a gente.
E quem nasceu em 1983 sabem que a vida passa, os anos correm, mas certas canções seguem eternas e tocando exatamente no mesmo lugar... o coração!
E assim eu sigo como Engenheiros do Hawaii "somos quem podemos ser" e descubro que crescer também é escolha.
Com a Pitty eu chego dizendo e finalizando esse enredo da minha trilha sonora dizendo que "o importante é ser você" num mundo que insiste em moldar pessoas.
