Eis que eu me questionava o que é a... Monalisa Ogliari
Eis que eu me questionava o que é a vida então? A vida é uma ponte suspensa sobre o abismo do desconhecido. O seu escultor é o tempo inerente das passagens, de quem parte sem bagagem no último trem da existência. A memória é um jardim de folhas douradas, do verde que já é passado. A esperança é uma estrela distante. O amor é uma constelação errante que brilha a cada instante. A consciência é um farol na neblina, só se pode ver a pouca luz que ilumina. O destino é um rio subterrâneo, que nos leva e nos trás, nos dá e nos tira. A saudade é um oceano sem margens, que transborda em nossas almas. A existência é uma chama exposta ao vento, que trás alegria ou sofrimento. Mas sejamos amenos. O tempo recolhia as flores do verão e a madrugada abriu lentamente suas pálpebras. Na terra, uma montanha carregava segredos milenares, enquanto a chuva escrevia cartas sobre os telhados. O tempo carregava confidências antigas sussurradas em silêncios. A memória chamava meu nome, e eu seguia esquecida de mim. O crepúsculo despia seus mantos dourados na eternidade silente. O perfume da existência se vestia da voz aveludada do vento, que tinha o sabor cristalino da esperança. O silêncio azul da madrugada ouvia a melodia prateada da chuva. Ao amanhecer, a claridade macia da paz se fez nos jardins floridos, e se sentia o aroma luminoso dos lírios. A doce tristeza da saudade era o brilho perfumado das lembranças. E eu construia minha morada entre a luz e a sombra. E entre o ruído e o silêncio eu encontrei sentido, pois o princípio e o fim habita a existência. A luminosa escuridão da alma divagava no silêncio que gritava na paz inquieta dos sábios.
