✍️ CHUVA NO BETÃO 🎼 Chove no... RP Real Poeta

✍️ CHUVA NO BETÃO 🎼




Chove no betão, mas eu aprendi a ficar,
Porto ensinou-me a dor antes de ensinar a sonhar,
Carrego o mundo no peito, sem nunca o gritar,
Há batalhas que se lutam só pra continuar.


Chove no betão, a cidade não dorme,
As ruas falam baixo, mas a verdade é enorme,
Se a alma pesa é porque sente, não é fome,
E quem vem daqui aprende a ser forte sem nome.


O Porto ensinou-me cedo que a vida não pede licença,
Que o silêncio pesa mais do que qualquer sentença,
Que há olhos cansados cheios de resistência,
E sorrisos partidos que escondem sobrevivência.


Cresci entre muros frios e promessas gastas,
Onde a fé era pouca mas a coragem era vasta,
Onde cada queda deixava marcas arrastadas,
Mas ninguém virava costas às almas quebradas.


Aqui fala-se pouco, sente-se demais,
O amor é contido, mas quando fica… fica em paz,
Aprendi que ser homem não é nunca chorar,
É saber levantar mesmo quando a dor não sai.


Há noites em que a cidade parece ouvir,
Quando caminho sozinho sem nada pra fingir,
Cada passo ecoa histórias que não quis fugir,
Porque quem foge de si nunca aprende a existir.


Vi pais cansados, mãos gastas de trabalhar,
Vi sonhos adiados pra pôr comida na mesa a chegar,
E aprendi que dignidade não se pode comprar,
É algo que se carrega mesmo quando não há.


O Porto moldou-me duro, mas não me roubou a alma,
Deu-me frio no inverno, mas também me deu calma,
Aqui aprende-se a amar sem fazer alarde,
Porque o amor verdadeiro não grita — aguarda.


Se hoje escrevo é pra aliviar o que ficou,
Pra dar voz ao que nunca ninguém escutou,
Não rimo pra ser visto nem pra ser maior,
Rimo porque calar seria morrer pior.


Cada verso é um abraço que eu nunca pedi,
É um pedido de ajuda disfarçado de beat,
E se isto tocar alguém que se sente assim,
Então já valeu a pena ter escrito até ao fim.


Chove no betão, mas eu aprendi a ficar,
Porto ensinou-me a dor antes de ensinar a sonhar,
Carrego o mundo no peito, sem nunca o gritar,
Há batalhas que se lutam só pra continuar.


Chove no betão, a cidade não dorme,
As ruas falam baixo, mas a verdade é enorme,
Se a alma pesa é porque sente, não é fome,
E quem vem daqui aprende a ser forte sem nome.