⁠Muitos que se Descuidam do Percurso,... Alessandro Teodoro

⁠Muitos que se Descuidam do Percurso, chegam ao Destino com o Entusiasmo Fragilizado. Há uma espécie de contradição na maneira como aprendemos a viver: passamos... Frase de Alessandro Teodoro.

⁠Muitos que se Descuidam do Percurso, chegam ao Destino com o Entusiasmo Fragilizado.


Há uma espécie de contradição na maneira como aprendemos a viver: passamos tanto tempo desejando chegar que, por vezes, esquecemos de viver aquilo que nos acontece enquanto caminhamos.


Fazemos do destino uma obsessão, da conquista uma urgência e do futuro uma promessa tão grandiosa que o presente acaba reduzido a um simples corredor de passagem.


Entretanto, a vida não acontece somente nos lugares onde pretendemos chegar.


Ela também se manifesta nas pequenas demoras, nos encontros inesperados, nas conversas despretensiosas, nos afetos cultivados sem alarde e até nos desvios que, inicialmente, julgávamos inconvenientes.


Sociologicamente, talvez estejamos adoecendo de uma cultura que valoriza excessivamente os resultados e negligencia os processos.


Somos ensinados a celebrar quem vence, mas raramente aprendemos a reconhecer a beleza de quem persevera; admiramos os pontos de chegada, mas quase nunca perguntamos quantas delicadezas foram sacrificadas para alcançá-los.


E assim, não são poucos os que conquistam aquilo que tanto desejaram, mas já não encontram dentro de si a mesma disposição para desfrutar da conquista.


Chegam com o corpo presente e a alma exausta; alcançam o objetivo, mas perderam, pelo caminho, parte da capacidade de se maravilhar.


Filosoficamente, existe uma pergunta que merece nos acompanhar: de que vale chegar ao lugar dos nossos sonhos se, durante a travessia, abandonarmos justamente aquilo que dava sentido ao nosso desejo de chegar?


Porque o percurso não é apenas um intervalo entre as realizações.


É também parte da realização.


Não é apenas o preço que pagamos pelo destino, mas o território onde nossa identidade se transforma, nossa sensibilidade amadurece e nossas razões de existir são constantemente revisitadas.


É preciso aprender a caminhar sem transformar cada passo numa cobrança, sem fazer de cada demora uma derrota e sem permitir que a ansiedade pelo amanhã nos roube a poesia do agora.


Que não nos faltem ambições, mas que elas jamais sejam maiores do que nossa capacidade de contemplar.


Que saibamos perseguir horizontes sem deixar de perceber as flores à margem da estrada, abraçar conquistas sem esquecer os companheiros de travessia e reconhecer que algumas das melhores coisas da vida não estavam no destino que planejamos, mas nos encontros que o caminho nos proporcionou.


Afinal, há chegadas que impressionam o mundo, mas não conseguem emocionar quem chega.


E há percursos aparentemente modestos que, pela quantidade de vida que nos oferecem, tornam a própria caminhada uma forma de eternidade.


Não tenhamos tanta pressa de chegar a algum lugar a ponto de nos tornarmos estrangeiros de tudo aquilo que poderíamos ter vivido pelo caminho.


Porque o verdadeiro sentido de chegar talvez não esteja simplesmente em alcançar o destino, mas em ainda conservar, dentro de nós, o entusiasmo necessário para celebrá-lo.