J.L.D És belo como uma rosa. Beleza... Victoria Licodiedoff lemos

J.L.D


És belo como uma rosa.
Beleza pura, angelical.
Pétalas que ao olhar, desabrocham com destreza -
Mas de quem ousar se aproximar,
O odor, conta, tomará
Como se estivesse apodrecida.


E talvez, esteja.
Odor infame como a escuridão da madrugada,
Que está preso em sua alma por barras forjadas
Na vergonha.
Humilhação pútrida,
como uma
carcaça jogada ao sol.


tu dizes que fala a língua dos céus e dos homens -
Entretanto, és enganador
Como um lobo disfarçado
Em meio aos cordeiros,
Clama, diz que compreende o pastoreiro,
Enquanto verdadeiramente
Não entende
Nenhum dos dois.


Ao teu lado, goteja o sangue. Gotas vermelhas carmim,
Mancham-lhe os lábios pálidos de forma sublime.


Vejo a metamorfose em teus olhos -
profundos, fanáticos
Um subtom dourado
Que surge como um
Aviso iminente
De tal psicose que toma conta
Do teu ser.


E assim, consome.
O peito a apertar,
Corpo ungido em gula,
Pecado e loucura.
Te tornas um espécime separado,
Já não consta como homem,
Mas sim como fera -
Bestial,
Como um vampiro sedento,
Mantém dentro de si dos ossos, à medula.


Efêmeras são as almas que cruzam o teu caminho. Belos, cheios de vida e virtude - tudo que lhe falta. És como uma linda casca vazia e sem alma. Frágil como um cordeiro, e cruel como um carcereiro. Ainda sim, vejo juntar em fé as mãos nas quais julguei ter visto o tom de sangue vivo.


És tu, pura maldade, Ou foste amaldiçoado pela eternidade, com esse imponente desejo sem fim?