O perigo de conceder poder a um regime... Cabo Dênisson Hélder.
O perigo de conceder poder a um regime autoritário por vias democrática. A eleição é uma escolha soberana, mas a sua destituição deixa de ser um instrumento viável pelas urnas.
Ao referendar o fortalecimento desmedido das engrenagens do Estado, extirpa-se das gerações futuras a liberdade fundamental de escolherem seus próprios representantes.
A celebração fugaz do triunfo de uma vertente ideológica no presente desconsidera que, em uma estrutura hipertrofiada, esse mesmo grupo poderá ser descartado no futuro.
Quando a maquetagem sistêmica é consolidade contra a alternância de poder, nem mesmo a vontade de uma esmagadora maioria popular terá eficácia para reverter o cenário.
A ruína de uma democracia consolidada dá-se no instante em que se legitima um arranjo institucional concebido para o aparelhamento e para a autoperpetuação do poder, uma estrutura cuja derrocada se torna exponencialmente mais árdua a cada ciclo.
Se em momentos históricos do passado vertentes antagônicas, como liberais, conservadores e a esquerda tradicional, uniram forças para soterrar regimes fascistas, hoje esse horizonte de convergência se esvai, fragmentado pelo pragmatismo e pela desconfiança mútua. Revela-se, assim, que a salvaguarda da democracia nunca foi o verdadeiro motor dos extremismos, mas tão somente a ambição subjacente de exercer a hegemonia e encarnar o próprio autoritarismo.
