Café de Muitos Tons Na porcelana alva,... Jonas Bentivi

Café de Muitos Tons


Na porcelana alva, o escuro se derrama,
Em tons de bronze, âmbar e carvão;
Guarda na cor o sol de cada chão,
E em seu perfume a terra ainda chama.


Há um travo antigo que a memória inflama,
De mãos marcadas pelo tempo e pelo grão;
Mas há doçura em sua escuridão,
E um sabor de fruta que a amargura não reclama.


Na superfície, um brilho se revela,
Histórias que o tempo não desfez,
Em cada gota, um mundo se aquarela.


E ao sorvê-lo, desperta a força adormecida,
O homem se ergue, uma vez mais, outra vez,
Do amargo nasce o alento para a vida.


Jonas Bentivi