FIOS INVISÍVEIS Eu visto o sorriso que... Ricardo Alexandre de Rezende...

FIOS INVISÍVEIS


Eu visto o sorriso que pediram
mas por dentro eu rango os dentes
cada passo meu foi medido
cada culpa, lavrada em gente
me puxam os ombros por trás
como se eu fosse um trapo velho
e eu finjo que tá tudo bem
enquanto engulo o próprio espelho


Meus fios não brilham, não fazem som
mas apertam quando eu digo “não”
toda promessa vem com preço
todo afeto vem com condição
eu rio pra não dar o prazer
de ver meu peito em combustão
se a razão faz conta demais
a emoção rasga a planilha na mão


E quanto mais tentam me dobrar
mais duro eu aprendo a ficar
o que era medo vira mapa
o que era nó vai me soltar
vocês queriam minha entrega
meu nome, meu sonho, minha paz
mas eu devolvo o vazio
e deixo o peso pra trás


Puxa mais forte eu corto os fios
Puxa mais forte eu viro o fio
Vocês me quiseram joelho no chão
agora eu danço no meio da ruína
Puxa mais forte eu corto os fios
Puxa mais forte eu viro o fio


Me chamaram de peça discreta
de ferramenta, de bom menino
mas eu vi o que mora por trás
do sorriso lindo e cristalino
queriam meu brilho pra mesa deles
queriam meu caos sob controle
eu fui servindo a fome alheia
até virar pedra no molho


Hoje eu sei onde a corda aperta
eu sei o nome de cada mão
quem me vendeu paz de vitrine
pra roubar minha direção
então eu ando sem pedir licença
com a verdade no dente e na voz
se a culpa era a forma do laço
eu quebro o laço e sumo de nós


E quanto mais tentam me dobrar
mais duro eu aprendo a ficar
o que era medo vira mapa
o que era nó vai me soltar
vocês queriam minha entrega
meu nome, meu sono, minha paz
mas eu devolvo o vazio
e deixo o peso pra trás


Puxa mais forte eu corto os fios
Puxa mais forte eu viro o fio
Vocês me quiseram joelho no chão
agora eu danço no meio da ruína
Puxa mais forte eu corto os fios
Puxa mais forte eu viro o fio


Quando eu passo, a tensão sobe
Quando eu passo, meu pulso explode
Quando eu passo, a mesa vira
Quando eu passo, ninguém me dobra mais


Quando eu passo, faca na corda
Quando eu passo, fogo contido
Quando eu passo, olho no olho
Quando eu passo, eu sigo vivo


Se eu perdi a calma pra te servir
foi pra aprender a me recompor
se eu dei meu tempo pra te nutrir
agora eu guardo o que sobrou de amor
não sou a sombra do teu orgulho
nem o remendo do teu altar
eu sou a falha no teu controle
a parte que você não vai dobrar


Puxa mais forte eu corto os fios
Puxa mais forte eu viro o fio
Vocês me quiseram joelho no chão
agora eu danço no meio da ruína
Puxa mais forte eu corto os fios
Puxa mais forte eu viro o fio


Puxa mais forte eu corto os fios
Puxa mais forte eu viro o fio


Eu não nasci pra caber na tua mão
eu sou o golpe que aprende a voltar