Nas entranhas de uma montanha... Celso roberto nadilo
Nas entranhas de uma montanha sagrada, repousa a lápide do imortal: um sarcófago que parece flutuar sobre nuvens de vapor, suspenso por pesadas correntes. Abaixo dele, corre um lago de mercúrio reluzente, alimentado por mil pílulas da alquimia proibida. Ali jaz um corpo redesenhado e petrificado, eternizado pelo próprio veneno do elixir que prometia a vida eterna.
Guardando seu sono, dez mil soldados de terra cota o acompanham no silêncio da pedra. Cada guerreiro carrega uma face única e uma expressão singular — o testemunho visceral de anos de trabalho místico e devoção. A montanha respira riqueza e magia, abrigando o ápice da engenhosidade humana: sismógrafos ancestrais, bússolas de precisão e mapas estelares gravados sob abóbadas sagradas.
Ali repousa o arquiteto da lei, o soberano que trouxe clareza ao comando real e fundou a mais lendária das dinastias — aquela que ergueu muralhas infinitas até transformá-las em maravilhas do mundo. Entre composições musicais de uma sofisticação inigualável e o eco de templos que transcendem o próprio carma, sua memória permanece incólume, petrificada no centro do cosmos.
